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Benedita não pede ajuda especial das Forças Armadas

Somente no início da noite de hoje chegou ao Palácio do Planalto o ofício da governadora do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, pedindo apoio federal no combate ao crime no estado. Em nenhum trecho do ofício, no entanto, a governadora pleiteia o emprego das Forças Armadas na guerra contra a violência no Rio. O presidente Fernando Henrique Cardoso não respondeu ainda que tipo de ajuda será dada ao estado, mas espera-se para hoje um posição oficial do Palácio do Planalto sobre o problema. Por meio de seu porta-voz, Alexandre Parola, o presidente disse que "esse pedido está em sintonia com os propósitos de um combate articulado à criminalidade". Fernando Henrique lembrou ainda que o ofício da governadora Benedita não traz pedido especial de uso de Forças Armadas. "Portanto, seria especular sobre uma hipótese que não foi sequer pleiteada pelo governo do Rio de Janeiro", disse o porta-voz, ressalvando que isso não significa que esta hipótese não possa acontecer. "Estou dizendo apenas que não teve pedido e que seria falar de uma hipótese que não foi sequer colocada", acrescentou o porta-voz.Até a noite de hoje, o Ministério da Defesa não havia recebido qualquer solicitação de convocação de tropas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para serem empregadas no combate ao crime organizado. O ministro da Defesa, Geraldo Quintão, afirmou, hoje, em entrevista à Radiobrás, que as Forças Armadas "não se furtarão" a ajudar o Rio, mas que, primeiro é preciso que haja um pedido e uma autorização para esse emprego. Além disso, observou, a missão dos militares será determinada pelo Ministério da Defesa e não pelo governo do estado. "Pedidos da governadora determinando ações para cada força, precisam primeiro falar comigo", comentou o ministro, ressalvando que o estado não pode, de antemão, listar o que as Forças Armadas vão fazer e que esta é uma missão do Ministério. O apoio dos militares, lembrou, normalmente é feito nas áreas de inteligência, de logística e de comunicações. "As três forças são muito hábeis na área de inteligência", declarou o ministro, que sempre ressalta que não é missão dos militares subir morro para combater diretamente o crime organizado. Porém, o ministro defende "o efetivo combate ao narcotráfico". "Ele tem que ocorrer", observou Quintão, ao recordar que gostaria de poder voltar ao Rio, ainda nesta década, com a mesma tranqüilidade que viveu na década de 50. Para o ministro, é "equivocado" usar o nome "força-tarefa" para uma operação de combate ao crime. OfícioNo ofício encaminhado ao Planalto, Benedita da Silva cita a grave crise que enfrenta o estado na área de segurança pública e propõe "o estreitamento da cooperação entre os governos federal e estadual, de modo a que, somando esforços, possamos vencer a guerra contra o crime e a violência".Benedita pede apenas a criação de um grupo de trabalho, "institucionalmente formalizado", envolvendo as polícias federal, civil e militar, a Secretaria da Receita Federal, o Banco Central, as Procuradorias da República, da Justiça e do Estado, além da Secretaria de Estado da Fazenda.Ainda de acordo com o ofício, o grupo de trabalho estaria habilitado "a desenvolver e implementar ação integrada e complementar, com o objetivo de rastrear, localizar, identificar e coibir a prática de lavagem de dinheiro que acoberta o crime organizado".

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