Benedita ordena invasão de Bangu 1

A governadora Benedita da Silva (PT) ordenou que a Polícia retomasse o controle no fim da tarde do presídio de segurança máxima Bangu 1, depois de seis horas de reunião da cúpula de Segurança do Estado e dez horas após o início da rebelião. A primeira pessoa a quem a governadora comunicou a decisão foi o presidente Fernando Henrique Cardoso. Eles conversaram por cerca de dez minutos e Benedita o colocou a par da situação na cidade.No início de abril, quando Benedita havia acabado de assumir o governo, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, foi transferido de Brasília para o Rio a pedido do Ministério da Justiça. Benedita e o secretário de Segurança, Roberto Aguiar, protestaram em vão contra a medida, alegando que a situação da violência no Rio sofreria um recrudescimento.Hoje, durante todo o dia, Aguiar e o secretário de Jutiça, Paulo Saboya, permaneceram reunidos na sede da Secretaria de Segurança, no centro. Tiveram a companhia por alguns instantes do chede da Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Francisco Braz, e do subsecretário de Inteligência, Antonio José Freire. Apesar das exigências dos presos rebelados para que Aguiar e Saboya fossem a Bangu para negociar, ambos se recusaram a intermediar o fim da rebelião. Para eles, o governo do Estado já estava representado pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM e seus negociadores.Benedita da Silva chegou à Secretaria de Segurança pouco antes das 17h e 30 minutos mais tarde determinou a invasão do presídio. Ninguém da Secretaria se manifestou oficialmente sobre a rebelião até o ínicio da noite.ComércioO motim em Bangu 1 causou quebra-quebra e o fechamento do comércio hoje à tarde em pelo menos seis bairros da zona norte do Rio. Em Bonsucesso, três ônibus foram apedrejados. Dois foram atacados na Rua Uranos e o terceiro na Avenida dos Democráticos, uma das principais do bairro, próxima ao morro do Adeus, área dominada por traficantes ligados a Uê, cuja morte foi anunciada, mas ainda não confirmada. Os manifestantes chegaram a por fogo no ônibus da Avenida Democráticos, mas a política conseguiu evitar o incêndio. O comércio ficou fechado na Cacuia, bairro da Ilha do Governador, onde anteontem a polícia matou e prendeu traficantes; em Ramos, em Bonsucesso, Irajá, Vicente de Carvalho (onde um shopping center e um hipermercado encerraram as atividades) e Vaz Lobo. Em alguns desses bairros as escolas também suspenderam as aulas. Não há informação de feridos.

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