Benedita pede apoio de 23 países contra tráfico de armas

A governadora Benedita da Silva (PT) pediu, nesta sexta-feira, o apoio de representantes de catorze países fabricantes de armas de fogo para identificar as rotas utilizadas pelos traficantes. Os diplomatas receberam um relatório produzido pelo governo, segundo o qual os principais exportadores do armamento que chega às mãos dos criminosos no Rio são Estados Unidos, Espanha, Bélgica e Argentina.Depois do encontro, dez mil armas foram destruídas em frente ao Palácio Guanabara. O relatório, produzido com base nos dados sobre 750 mil armas que estão no depósito da Divisão de Fiscalização de Armas e Explosivos (DFAE), dá conta das armas acauteladas no Estado de 1950 a 2001.Os números mostram que 80% do total foi fabricado no Brasil ? as principais marcas são a Taurus e a Rossi. Os Estados Unidos são os fabricantes de 6,6% das armas apreendidas; a Espanha, de 5,3%; a Bélgica, de 2,7%; e a Argentina, de 1,6%. ?Os bandidos se armam como se fossem um exército. Lutar contra isso é um desafio nacional e internacional?, afirmou Benedita.Foram convidados para o encontro representantes de 23 países, mas só 14 compareceram. O secretário de Segurança Pública, Roberto Aguiar, achou que eles foram receptivos às propostas do governo do Rio. ?Hoje, uma arma estrangeira só tem seu trajeto observado se acaba sendo utilizada num crime. Queremos que todas elas sejam investigadas?, disse Aguiar. ?Ou nós nos unimos operacionalmente ou isso vai se tornar um câncer.?O governo quer que os países fabricantes colaborem com ações de inteligência para evitar que o armamento continue sendo traficado. O cônsul-geral da Alemanha no Rio, Klaus Platz, defendeu o rastreamento das armas através da numeração. Ele ressaltou a importância de controlar os depósitos das Forças Armadas, de onde o armamento seria desviado para as quadrilhas.A Alemanha responde por 1% do armamento apreendido no Estado. Platz acredita que as armas alemães encontradas nas mãos dos bandidos do Rio são produzidas em fábricas da América Latina. Os representantes dos Estados Unidos e da Espanha se recusaram a falar sobre o assunto.O diretor do Centro Regional das Nações Unidas para a América Latina, Péricles Gasparini, disse que o órgão está ajudando o Brasil a resolver o problema do tráfico de armas e a lutar pelo desarmamento da população. A Argentina, o Peru e o Paraguai também pediram auxílio. As armas destruídas foram apreendidas em operações policiais durante o ano de 1997 (a destruição só pode ser feita depois de cinco anos).Um trator passou por cima de um tapete de armas dispostas em frente ao Guanabara, sede do governo do Estado, que depois seriam fundidas numa siderúrgica. O coordenador do movimento Viva Rio, Rubem César Fernandes, disse que o governo deveria destruir armas todo ano, já que o número de apreensões é alto.

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