Benedita quer transferir criminosos de Bangu 1

A governadora Benedita da Silva quer a transferência de todos os chefes do tráfico do presídio de segurança máxima Bangu 1, nazona oeste, para fora do Estado. Ela fez o pedido ao presidente Fernando Henrique Cardoso, em encontro no fim da tarde de segunda-feira. O presidente teria prometido ficar ?atento? à solicitação. ?É preciso ajuda nessa desarticulação (do crime organizado), na medida em que a presença desses chefes atrapalha, porque eles podem com seus gestos cometer atos contra o trabalho dos nossos policiais?, afirmou a governadora, referindo-se indiretamente ao ataque à prefeitura. Seis prédios públicos, que poderiam ser alvos de novos ataques, tiveram a segurança reforçada nesta terça-feira. Benedita disse que a transmissão de ordens de traficantes de Bangu 1 paraseus subordinados ?não é novidade para ninguém?. Para a governadora, os criminosos estão reagindo às ações do Estado na área de Segurança Pública. ?Precisamos responder cada vez mais rápido. Eles (os traficantes) também querem desestabilizar o governo?, afirmou a governadora. Ela também criticou ouso político do caso. ?Quem fizer aproveitamento político não estará contribuindo para que o crime organizado seja banido?, afirmou.Apesar de a cúpula da segurança continuar afirmando que todas as hipóteses para o ataque à prefeitura estão sendo investigadas, inclusive a de crime político, as declarações de Benedita demonstram que a polícia está longe dessa linha de investigação.Benedita não deu sugestões para onde os chefes do tráfico poderiam ser levados e se eximiu da responsabilidade de mantê-los encarcerados. ?Ao Estado compete prender. Nós prendemos. Mas o Estado tem limites. Não vamos nos preocupar com as medidas que o governo federal vai tomar nesse caso. Eles também querem desarticular o crime organizado?, afirmou Benedita.Força-TarefaA governadora disse que também pediu ao presidente Fernando Henrique Cardoso a adesão do Exército à força-tarefa que combate o crime no Estado. De acordo com o secretário de Segurança, Roberto Aguiar, o Exército teria um representante na equipe até o fim da semana. Ele disse ainda que será enviado um ofício ao Tribunal de Justiça, pedindo a participação aindade um juiz na força-tarefa, para que possa agilizar pedidos de mandados de prisão e solicitações de escuta telefônica.Benedita não conseguiu explicar quais as ações da força-tarefa até o momento e como o trabalho seria reforçado. O superintendente regional da Polícia Federal, Marcelo Itagiba, foi ainda mais enigmático: ?A força-tarefa está em todos os lugares e em lugar nenhum?. Segundo Aguiar, grande parte do trabalho da equipe é ?absolutamente sigiloso?, porque envolve informação e inteligência. Somente a assessora da Secretaria de Segurança, Jacqueline Muniz, conseguiu dar uma pista sobre as atividades da força-tarefa. Ela citou a criação de contra-bondes, formados por policiais rodoviários federais e policiais militares do 20.º Batalhão (Mesquita). Eles agem para inviabilizar a formação de bondes na área da Baixada Fluminense.

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