Benedita usa carro blindado há dois meses

A governadora do Rio, Benedita da Silva (PT), vem recebendo ameaças de morte desde que assumiu o cargo, segundo a Subsecretaria de Inteligência (SSI) da Secretaria de Segurança. Além dela, estariam também na mira dos criminosos o secretário de Segurança, Roberto Aguiar, o chefe de Polícia, Zaqueu Teixeira, e o comandante-geral da PM, coronel Francisco Braz. Hoje, a assessoria de imprensa da governadora confirmou que ela vem usando carro blindado há dois meses."Sempre há ameaças contra governadores, secretários de Segurança. Mas desde que a governadora assumiu, o número de ameaças se intensificou bastante", diz um integrante da SSI. "Todos tiveram a segurança reforçada e recebem avisos sobre o tipo de atentado que podem sofrer e qual o grau de confiabilidade da informação", informou o policial.Na madrugada de quinta-feira, traficantes transmitiram mensagens de rádio na freqüência da Polícia Militar com ameaças à governadora. "Vamos sair num bonde (comboio de traficantes) , vamos tocar o terror e matar a governadora Benedita", dizia um dos criminosos. Aos repórteres, Benedita disse que foi a primeira vez que foi ameaçada. Ela negou que tenha reforçado sua segurança pessoal, admitiu ter ficado preocupada, mas garantiu que não vai se deixar intimidar nem mudar seus hábitos.A governadora usou um Ômega prata blindado para percorrer obras na Baixada Fluminense, na manhã de hoje. Quatro policiais militares a acompanharam em dois veículos - um seguiu na frente e outro atrás do carro oficial. De acordo com a assessoria da Benedita, esse é o número de policiais que fazem sua segurança normalmente. "Essa é a reação deles (bandidos). Já esperava por isso. Eles estão defendendo seu interesse, não querem um governo que fique pegando no pé deles. Eles querem que haja flexibilização. Mas eu não vou flexibilizar",disse a governadora. Ela admitiu que sentiu uma preocupação "natural, de qualquer ser humano", mas ressalvou que isso não vai impedí-la de dar continuidade a seu trabalho.TeorIntegrantes da direção nacional do PT sabem há pelo menos um mês das ameaças que Benedita vem sofrendo. As intimidações também incluiriam familiares da governadora. O marido dela, o ator Antônio Pitanga, estaria apavorado, segundo petistas próximos ao casal. "Não fizemos escarcéu com essas informações porque o fundamental era investigar a procedência. Algumas ameaças parecem ter conteúdo. Outras não. Benedita está levando a sério as denúncias, tomando precauções, mas não está supervalorizando o episódio", afirmou o deputado estadual Chico Alencar (PT).O coordenador do Disque-Denúncia, Zeca Borges, informou que entre maio e outubro o serviço recebeu três ligações com ameaças à vida da governadora. Ele não quis revelar o conteúdo das denúncias, mas disse que todas foram repassadas à SSI. Segundo Borges, nas 30 horas após a conversa dos traficantes captada pelo rádio da polícia, não houve ligação ao Disque-Denúncia em que o nome da governadora tenha sido mencionado.É comum que criminosos que utilizam radiotransmissores invadam a faixa de comunicação da polícia. Em 20 de junho, quando policiais militares patrulhavam a Vila Cruzeiro por conta da morte do repórter Tim Lopes, traficantes provocaram os PMs pelo radiotransmissor. Eles desafiaram os policiais a subir o morro para que verificassem que a venda de drogas estava normal e ironizaram a inferioridade numérica dos PMs. Apreensivos, os policiais acabaram recuando. Em outra ocasião, os criminosos ameaçaram repórteres que estavam na Vila do Cruzeiro cobrindo o caso Tim Lopes também pelo rádio da polícia.Hoje, parlamentares petistas reuniram-se com representantes da Secretaria de Segurança Pública e especialistas da área. Eles vão propor a criação de um "Pacto pela Segurança" que envolva o governo federal, estadual e municipal e poderes Legislativo e Judiciário, além da sociedade.Quando e comoBenedita disse hoje que a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança tinha a informação de que haveria uma tentativa de fuga em massa em Bangu 3, mas não sabia quando nem como seria a ação dos criminosos. Ela afirmou que o governo não tinha detalhes sobre o que os criminosos fariam, mas ressaltou que o policiamento na cidade foi reforçado. Segundo Benedita, o governo está "mexendo em casa de abelha, então tem que ter todo o cuidado.""As denúncias que recebemos não têm detalhamento. Ninguém diz o que, quando e onde vai fazer", disse a governadora, acrescentando que a polícia já esperava e tinha se precavido contra a reação dos bandidos ao combate ao crime organizado. "Nós não daríamos combate ao crime organizado sem que tivéssemos estruturado nosso policiamento. Não teríamos obtido este resultado, com mais de 1,8 mil bandidos presos."Uma semana antes do primeiro turno das eleições, a Subsecretaria de Inteligência descobriu que haveria uma tentativa de fuga em massa de Bangu 3, que aconteceria no dia 4 ou 5 de outubro. O governo soube que havia um túnel já escavado no presídio e que armas haviam sido escondidas pelos presos. No dia 2, a polícia começou a escavar na área em volta da unidade, usando britadeiras e escavadeiras. A segurança foi reforçada.Dentro do presídio, a polícia quebrou o piso das galerias à procura dos túneis e inundaram com água para dificultar a saída dos presos. As armas e explosivos que foram apreendidas após a rebelião da última terça-feira - que durou 12 horas e ocorreu enquanto diversos pontos da cidade eram atacados, inclusive o Palácio Guanabara, sede do governo - não foram encontradas na ocasião na revista que foi realizada nas celas (segundo a Secretaria de Justiça, porque não foram usados detectores de metal).

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