Benedita usa prisão de Elias Maluco para responder aos críticos

A governadora do Rio, Benedita da Silva (PT), candidata a reeleição, aproveitou hoje a apresentação do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, para responder aos críticos da sua administração. Com 12% das intenções de voto e acusada por adversários de agir com fraqueza na rebelião comandada por Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, semana passada, Benedita criticou, sem citar nomes, os governos anteriores, entre eles o do antecessor, o presidenciável Anthony Garotinho (PSB), marido da candidata ao governo Rosinha Garotinho, líder das pesquisas.?Não podemos aceitar que qualquer conversa nesta área de segurança, no momento fácil que está sendo o momento eleitoral, (seja usada) para criar cada vez mais expectativas da indústria do medo no Estado do Rio de Janeiro?, disse Benedita na sede da Polícia Civil, onde recebeu flores e foi aplaudida por delegados e policiais. ?Desde que assumimos, não fazemos outra coisa senão corrigir erros de governos passados e do mais recente, inclusive.?Prisão sem tiroEla defendeu a política de segurança e a prisão ?sem um tiro?, mas oficialmente não falou na campanha eleitoral. De manhã, Benedita negara que a prisão fosse ter uso na disputa pelos votos ? ?Meu panfleto não vai ser banhado em sangue?, disse ?, mas no fim da tarde atacou os outros concorrentes, chamando-os de ?inconseqüentes e irresponsáveis? por suas críticas à política de segurança. ?A resposta é para a população?, declarou ?A polícia é a mesma. Eles (os antecessores) é que não deram o respaldo necessário para que a polícia fizesse o que fiz em cinco meses.?Portando fuzis e vestidos de negro, policiais civis demonstravam aprovação ao discurso. Alguns elogiaram Benedita abertamente. Várias autoridades que deram entrevista fizeram questão de ressaltar que a prisão só ocorrera por causa ?da determinação? de Benedita. ?Se não fosse a decisão da governadora Benedita da Silva, não teríamos feito esta prisão, porque era uma área delicada, tínhamos que entrar em torno de 10 mil residências?, disse o chefe da Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, que também elogiou a ?valorização? que, segundo ele, Benedita está dando à Polícia Civil do Rio.Poder paralelo é balelaO secretário da Segurança Pública, Roberto Aguiar, foi na mesma linha. ?Neste Estado tem poder legítimo, democraticamente eleito, e é uma grande balela dizer que tem poder paralelo?, disse. ?Um: o único poder neste Estado é o poder do Estado do Rio de Janeiro representado por sua governadora. Segunda coisa: só conseguimos liberar Bangu, com a libertação dos reféns sem problema, e prender Elias Maluco, a partir do apoio incondicional e da confiança da governadora no sistema de segurança.?A inspetora Marina Magessi, chefe do Serviço de Investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, também elogiou Benedita. ?Não há novidade nem método novo, apenas respaldo e respeito ao princípio da autoridade?, disse. ?A governadora sempre acreditou na nossa linha de investigação. O que diferencia uma polícia da outra é quem está no comando.?O presidente do PT do Rio, Gilberto Palmares, também acompanhou a entrevista e mostrava satisfação com a prisão e otimismo em relação a seus possíveis reflexos para o PT na campanha eleitoral fluminense. Segundo ele, ?é óbvio? que a prisão de Elias Maluco será usada pelos petistas na disputa por votos e antecipou a argumentação que será usada. ?É o demonstrativo mais claro, junto com a questão de Bangu 1, de que na política de segurança ela (Benedita) está fazendo um governo diferente de todos os anteriores, e está ficando com essa marca, de enfrentamento sem conciliação com o crime organizado. Como a questão da segurança é enxergada pela população como central, a nossa expectativa é de que o pessoal vai reconhecer isso.?

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