Beneficiados fazem concertos de graça

Investidor exige que protegidos difundam música; ?não quero que fique a imagem de que eu jogo dinheiro fora?

RENATO MACHADO, O Estadao de S.Paulo

26 Outubro 2008 | 00h00

"Vou passar a vida inteira cobrando que passem essa ajuda adiante", diz o investidor do mercado financeiro Paulo Bilyk. Há pouco mais de três anos, ele patrocina artistas, principalmente pagando estudos nas melhores escolas de música do mundo. Em troca, exige que seus protegidos façam concertos gratuitos para difundir a música erudita e, quando eles forem bem-sucedidos, quer que façam por outros jovens a mesma coisa que ele faz hoje. Paulo Bilyk é conhecido no meio cultural porque realiza eventos com a presença de importantes nomes da música brasileira e mundial. A maioria é realizada em Campos do Jordão, cidade com a qual tem forte ligação. Mesmo assim, ele e outros patrocinadores tentam se descolar do perfil de homens ricos que patrocinam a arte como uma espécie de hobby. "Eu não quero que fique a imagem de que eu jogo dinheiro fora." Uma prova disso é que os mecenas de hoje não oferecem mordomias aos protegidos. Eles deixam claro que esses jovens músicos levam no exterior vidas parecidas com a de universitários brasileiros, que saem de casa para estudar em outra cidade. Eles vivem em apartamentos pequenos, em muitos casos dividindo com outras pessoas, e são responsáveis por afazeres domésticos, como cozinhar e lavar roupa. Embora não haja cobrança acirrada dos patrocinadores, os músicos praticam mais de dez horas por dia, além do período consumido nos conservatórios. "Eu não preciso cobrar desempenho, porque ele é responsável e esforçado", diz Jair Ribeiro, a respeito de Ronaldo Rolim. "Ele tem consciência de que tem uma chance que muitos não têm e ele se cobra." O pianista Pablo Rossi, de 19 anos, que estuda no Conservatório Tchaikovsky, em Moscou, gasta 16 horas se dedicando à música. Além das aulas diárias, pratica piano no restante do dia e também nos momentos de folga. "Às vezes, sou convidado para eventos nas embaixadas, mas desconfio que só me chamam para que eu toque", brinca.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.