Bens de Beira-Mar podem ser confiscados neste ano

O confisco dos bens do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, pode ser determinado ainda neste ano e depende apenas do fim das perícias de fitas gravadas com conversas telefônicas entre o criminoso e seus cúmplices.A ação pede a transferência para o Estado da posse de 48 imóveis, 12 automóveis e 36 linhas telefônicas distribuídos por quatro Estados brasileiros. A informação é do Ministério Público do Estado do Rio, responsável pelo levantamento dos bens do traficante e pelo pedido de confisco.A juíza Therezinha Avellar, titular da 1ª Vara Criminal de Duque de Caxias (Baixada Fluminense) e responsável pelos processos contra o traficante, afirma que Beira-Mar poderá ser julgado ainda neste ano em duas ações penais que correm em Caxias.Ele é acusado de assassinato e tráfico de drogas. O julgamento nessas ações penais poderá apressar o confisco, segundo a juíza. O advogado de Beira-Mar, Lídio da Hora, disse que o confisco dos bens é mais uma "arbitrariedade cometida pela Justiça", mas afirmou que o traficante "deixou os bens de lado" e que nada fará para recorrer do seqüestro de seu patrimônio.Da Hora reclamou ainda das imposições da Secretaria de Segurança Pública do Rio, que limitou o acesso dos advogados ao Complexo Penitenciário de Bangu, onde o traficante está preso. "Eles estão rasgando a Constituição e desrespeitando direitos básicos dos presos", afirmou.A exemplo da investigação que levou ao seqüestro do patrimônio de Beira-Mar, o Ministério Público do Estado do Rio também quer confiscar os bens de outros traficantes poderosos. O MP já enviou pedido de confisco de propriedades da quadrilha de Ernaldo Pinto de Medeiros, Uê.O traficante foi assassinado dentro do presídio de Bangu durante uma rebelião no dia 11 de setembro, mas o MP quer conseguir a posse dos bens (dezenas de imóveis em São Paulo e no Rio) que estão em nome de "laranjas" - pessoas que emprestam seu nome para esconder a identidade de criminosos.Uê liderava o tráfico de drogas em mais de 25 favelas na zona norte do Rio. Ao ser morto, o traficante deixou as "bocas" para Paulo Cesar Silva dos Santos, o Linho, que também é alvo de uma outra investigação do Ministério Público.No momento, os promotores estão tentando levantar os bens de Robson André da Silva, o Robinho Pinga. Ele seria o principal "laranja" de Linho. Sua mulher, Maria Cristina Alves de Araújo, foi presa no mês passado em Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, mas ele continua solto.

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