Bens do século 17, enfim catalogados

Mosteiro de São Bento do Rio encerra restauração de duas capelas e ganha inventário de todas as suas peças

Talita Figueiredo, RIO, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2009 | 00h00

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O Mosteiro de São Bento recebe amanhã, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), um inventário de todos os seus bens. Mais de 2.400 peças dos séculos 17 a 20, entre esculturas, peças litúrgicas, altares, púlpitos e pias batismais foram descritas e fotografadas por uma equipe que reuniu historiadores, arquitetos, museólogos e fotógrafos. Na ocasião, será ainda comemorado o fim da restauração de duas capelas do mosteiro: a Capela-mor e a do Santíssimo.

A restauração das capelas foi resultado de investimento de R$ 2,4 milhões do BNDES, por meio da Lei Rouanet, e durou pouco mais de um ano e meio. "O trabalho incluiu a restauração de toda a talha de madeira, do conjunto de pinturas que mostra a devoção mariana à ordem beneditina e das esculturas dos dois anjos tocheiros que ficam na entrada, esculpidos pelo mestre Antonio Teles e sua oficina, em 1773. O interessante é que o mestre era escravo", revela d. Mauro Fragoso, diretor de Patrimônio do Mosteiro.

Segundo d. Mauro, o maior problema foi a descupinização. "O importante agora é manter o trabalho de conservação, que deveria ser anual. A última restauração feita aqui foi em 1992", diz. A recuperação das outras capelas da igreja, no valor de R$ 600 mil, já está em andamento.

O superintendente do Iphan no Rio, Carlos Fernando Andrade, conta que essa já é a terceira etapa do projeto de restaurar toda a igreja. "Primeiro foi feita a recuperação do telhado, depois da nave e, agora, das capelas. Esses projetos foram todos feitos com recursos da Lei Rouanet", explica Andrade. O projeto de catalogação de todo o inventário da igreja se deu justamente por causa da restauração.

"Sempre que uma igreja ou museu vai entrar em reforma, tem-se por precaução fazer o inventário de todos os seus bens", afirma Andrade. "A fase de obras traz fragilidade na segurança dos patrimônios históricos, com o entra e sai de gente e de material de entulho. Se, em algum momento, dermos falta de algum objeto, temos como identificá-lo e fornecer informação para a Polícia Federal."

Entre as obras inventariadas estão um ostensório de 1634 (onde se coloca a hóstia) e, do século 18, uma pintura da Santa Ceia e uma escultura de Nossa Senhora do Rosário. Segundo o Iphan, 14 igrejas já têm acervos inventariados.

HISTÓRIA

O mosteiro teve sua construção iniciada em 1617, pelo engenheiro-mor Francisco de Frias da Mesquita. Apesar das várias modificações durante os séculos, o conjunto arquitetônico conserva as características originais. A arquitetura é sóbria, com destaque para a portaria, a escada nobre (com barras de azulejos portugueses, dos mais antigos do Rio), as galerias, o refeitório, as adegas, a antiga biblioteca e a Capela Abacial (das relíquias). Nela se encontram duas telas notáveis de José de Oliveira Rosa e uma talha, anônima, considerada obra-prima entre as de feição rococó existentes no Rio.

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