Bento XVI dedica tempo livre a TV, leituras e passeios

De acordo com o porta-voz do Vaticano, o papa emérito deve voltar a tocar piano e ouvir seus compositores preferidos

ANDREI NETTO , ENVIADO ESPECIAL / ROMA, O Estado de S. Paulo

02 Março 2013 | 10h09

O tempo de descanso e o isolamento almejados pelo agora papa emérito Bento XVI enfim chegaram. Em seu primeiro dia como "simples peregrino" em Castel Gandolfo, a residência de verão do Vaticano, Joseph Ratzinger dedicou seu tempo livre ao lazer, à oração e à cultura. Em seu dolce far-niente, encontrou tempo para assistir a telejornais, ler e passear pelos jardins, longe das intrigas políticas de Roma.

As primeiras 24 horas desde que deixou o posto foram dedicadas ao repouso, disse o porta-voz da Igreja, Federico Lombardi. Conforme o secretário do papa emérito, monsenhor George Gänswein, Bento XVI dedicou seus primeiros momentos de aposentadoria a assistir, pela TV, à repercussão de sua renúncia.

Depois disso, Bento XVI jantou, caminhou pelo Salão dos Suíços, um dos aposentos de Castel Gandolfo com vista para o Lago Albano, que banha a província de Lazio. A seguir, teria se recolhido ao seu quarto para passar a noite. Ainda de acordo com Lombardo, o papa emérito "dormiu bem", "em um clima de serenidade e paz".

A sexta-feira começou cedo, às 7 horas, para recitar a missa e o breviário do dia. A partir de então, Bento XVI teria lido mensagens de agradecimento por seu pontificado que lhe foram enviadas de todo o mundo.

Lombardi não foi mais longe, porque concedeu entrevista às 13 horas, horário local. Mas demonstrou ter uma imagem clara da rotina do papa emérito nos próximos três meses, tempo no qual seguirá longe do Vaticano. O papa voltará a tocar piano, ouvirá seus compositores preferidos e retomará as leituras. "Nos últimos dias, em seu apartamento, ele vinha tocando. Ontem, ele não o fez porque queria ver os telejornais, mas ele retomará o piano nos próximos dias", explicou Lombardi. "Isso mostra que ele está relaxado."

Bento XVI teria deixado Roma com um exemplar do livro Estética Teológica, de Urs von Balthazar, cuja compra ele teria solicitado pouco antes de deixar o papado. Levou também obras sobre teologia e história da Igreja. Esperava-se que, entre um e outro "compromisso", o pontífice fizesse uma breve caminhada às 16 horas, como fazia no Vaticano.

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