Berlim e Londres são bons exemplos para SP

Cidades usaram operações urbanas para revitalizar áreas degradadas

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

Usando as mesmíssimas palavras do Plano Diretor paulistano - como "revitalização", "adensamento de áreas ao longo de trilhos" e "operação urbana" -, várias cidades europeias estão conseguindo mudar totalmente a cara de bairros degradados e dar nova vocação a terrenos outrora abandonados. É o caso de Londres, que investiu R$ 1,6 bilhão na região da estação de trem King?s Cross, e Berlim. Tais palavras do Plano Diretor só conseguiram sair do papel porque os governos das duas metrópoles uniram órgãos públicos e companhias privadas em torno de regras claras e planos urbanísticos. Em Londres, o terminal King?s Cross/Saint Pancras é um dos nós de transporte mais intensamente solicitados da cidade, com diversas plataformas em vários níveis, que incluem linhas de metrô, ônibus e trens regionais. O problema era que os arredores da superestação estavam entregues a gangues de rua, mendigos e drogados. Algo bem como a Cracolândia paulistana. Os terrenos adjacentes às estações King?s Cross/ Saint Pancras correspondiam a um dos maiores estoques de terra disponíveis para reurbanização na Europa, tomados por galpões e antigas ocupações industriais. Para dar início ao processo, o poder público encarou a própria estação como um catalisador de mudanças - a reforma, de R$ 1,6 bilhão, deve acabar no meio do ano. Foi implementado também uma espécie de "Operação Urbana King?s Cross". Esse instrumento, copiado pelos gestores daqui, permite a edificação acima dos limites estabelecidos pela lei, desde que as empresas paguem por isso. Toda essa verba arrecadada foi investida de volta em equipamentos públicos, como praças, parques, pavimentação e segurança. Resultado: nos últimos três anos, os imóveis valorizaram 350% - e a reurbanização está longe de terminar. Em Berlim, o governo também está usando o modelo das operações urbanas para atrair investimentos em áreas perto do rio que corta a cidade, o Spree. Lá, a diferença é que o poder público não toma nenhuma decisão de revitalização sem a realização de estudos urbanísticos. "Aqui há regras para tudo, da altura das construções até o tipo de arquitetura que será usada", diz Wolfgang Hummel, diretor de Investimentos da Secretaria de Planejamento Urbano de Berlim.

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