Bernardo cotado para assumir a Defesa

Ministro tem mais chances para vaga de Pires e já indicou que aceita tarefa

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2025 | 00h00

Dez meses depois do início da crise aérea, são fortes os sinais de que o titular do Planejamento, Paulo Bernardo, pode mesmo ser deslocado para o Ministério da Defesa no lugar de Waldir Pires. Bernardo já foi sondado duas vezes, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que precisa de uma solução rápida para dar resposta à sociedade. Lula decidiu substituir Pires logo após a tragédia com o avião da TAM. Bernardo prefere continuar à frente do Planejamento, mas não criou obstáculos para assumir a tarefa e até agora é a opção considerada mais forte. O presidente, porém, não bateu o martelo sobre sua transferência e ainda examina outros nomes para ocupar a cadeira de Pires. O governo também sondou Nelson Jobim, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que, polidamente, recusou o convite. Lula segurou Pires o quanto pôde no cargo, mas hoje tem pressa em substituí-lo. Avalia que, a partir daí, haverá mudanças de métodos de trabalho e maior integração entre as várias siglas que hoje cuidam do espaço aéreo brasileiro. O presidente também decidiu trocar o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira. O major brigadeiro-do-ar Jorge Godinho Néri é hoje o mais cotado para comandar a secretaria-executiva do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac). Filiado ao PT e um dos maiores defensores do controle de gastos públicos no governo, Bernardo é o padrinho da proposta que prevê a abertura do capital da Infraero. Sua idéia, que havia sido discutida ainda no primeiro mandato e acabou engavetada, foi novamente apresentada ao presidente uma semana antes do desastre com o Airbus da TAM. ABELHA NO MEL Na ocasião, o ministro do Planejamento disse a Lula que, para solucionar a crise aérea, era preciso dinheiro. "Não adianta criar carreira para controlador de vôo nem desmilitarizar o setor", afirmou. "O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) destina pouco mais de R$ 3 bilhões para essa área, mas isso é muito pouco." Foi Bernardo que, no fim de março, negociou o fim da greve dos controladores de vôo, a mando do presidente, que estava nos Estados Unidos. A intervenção, porém, desagradou ao Comando da Aeronáutica. Os controladores retornaram ao trabalho, mas o governo não cumpriu sua parte no acordo e as operações-padrão continuaram meses a fio. Pelos cálculos apresentados pelo ministro do Planejamento, seriam necessários investimentos de R$ 15 bilhões para pôr nos eixos o sistema aéreo e desafogar os aeroportos do País. A venda das ações da Infraero - com a manutenção do controle acionário pelo governo - é a mais nova alternativa em estudo para debelar a crise. "Mas isso não é privatização, é?", perguntou Lula a Bernardo, desconfiado. Diante da resposta negativa do ministro e de novas consultas feitas pelo presidente sobre o assunto, o Planalto encomendou estudo sobre a modelagem da venda das ações da Infraero ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em reuniões ontem e segunda-feira, Lula e os ministros da coordenação política do governo avaliaram que, num primeiro momento, a abertura do capital da Infraero injetará na empresa recursos da ordem de R$ 2 bilhões. "A perspectiva de pôr as ações da Infraero na Bolsa de Valores atrairá investidores, como abelhas para o mel", comparou um dos ministros que participaram do encontro. "É uma oportunidade de ouro, porque há dólar jorrando no mundo." R$ 2 bi é a projeção do montante que deve ser injetado nos cofres da Infraero com a abertura de capital da estatal

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