Bernardo volta a criticar declarações de Nakano sobre corte de gastos

As polêmicas declarações do economista Yoshiaki Nakano, um dos elaboradores do programa econômico do candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, voltaram à cena nesta quarta-feira. Em visita a Curitiba, o ministro do Planejamento e Orçamento, Paulo Bernardo, disse ter duvidado da defesa feita por Nakano, de redução de gastos correntes de até 3,4% do PIB (R$ 60 bilhões), pois isso obrigaria o governo a acabar com o Ministério da Saúde, da Educação e, provavelmente, com o do Desenvolvimento Social. "Acabar e não fazer mais nada nessas áreas", acentuou. "Acho difícil que tenha falado nesses termos e, se falou, não leu o orçamento da União."Bernardo esteve em Curitiba a convite de empresários para discutir algumas reivindicações do setor. No entanto, o comunicado à imprensa sobre sua visita foi distribuído pelo comitê paranaense de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.Em resposta a um questionamento, Bernardo criticou o governo paulista, quando era comandado por Alckmin. "As medidas tributárias foram destinadas a intensificar a guerra fiscal", afirmou. "É só pegar o que aconteceu ano passado com o trigo. O Estado de São Paulo zerou a alíquota interna para os moinhos, e aí o Paraná ficou com o problema, pois tinha que reduzir a zero sua alíquota ou todos os moinhos se mudariam para São Paulo."O Paraná zerou sua alíquota e acabou deixando de arrecadar R$ 90 milhões por ano. "Para São Paulo era pouquíssimo porque arrecada quase R$ 2 bilhões por mês, mas para o Paraná pesou", acentuou. Segundo o ministro, São Paulo não fez nada de excepcional. "O governo de São Paulo, nos últimos anos, apegou muito nessa coisa de guerra fiscal, de diminuição tributária, que era importante para outro Estado, para atrair investimentos para lá", afirmou.Destaques para o governoCom o propósito de divulgar os ganhos do governo Lula, ele disse acreditar que a inflação deste ano ficará em menos de 3%. "É uma inflação de Europa, uma inflação de primeiro mundo", elogiou. Bernardo reconheceu ser "verdade" o dito de que o Brasil é o campeão de taxas de juros. Mas voltou a falar de sua expectativa de que a taxa básica fique em um dígito até o fim do ano. "Como a inflação está bem abaixo da meta prevista (4,5%) é bem possível que o Banco Central acelere a diminuição da taxa de juros", afirmou. Respondendo a questionamentos de empresários, ele disse confiar que a lei das micro e pequenas empresas seja aprovada até o fim do mês pelo Senado e seja sancionada pelo presidente.Aos pedidos para que haja alterações na Medida Provisória 303, que criou o Programa de Recuperação Fiscal 3 (Refis 3), ele não manifestou a mesma certeza. Os empresários pedem ampliação de prazo de 140 para 240 meses, que a parcela mínima seja fixada em R$ 200,00 e não em R$ 2 mil, e que se aumente o número de parcelas em atraso para exclusão. "Acho pouco provável que a Fazenda concorde", disse o ministro, que será o interlocutor dos empresários. "Mas como vocês são comerciantes, acho que estão colocando a proposta para discutir também."

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