Berstein critica celebridades na mídia

Repórter que, ao lado de Bob Woodward, ajudou a derrubar o governo de Richard Nixon com a série de matérias sobre o escândalo de Watergate, publicadas de 1972 a 1974, o jornalista Carl Bernstein expressou ontem preocupação com os ataques à liberdade de imprensa, mas também com outros problemas que assolam o segmento.

RIO, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2010 | 00h00

"Nos Estados Unidos e na Europa, a imprensa está desfigurada por celebridades, fofocas, sensacionalismo, fabricação de controvérsias, na televisão, encorajadas por jornalistas", afirmou, na palestra Tendência mundial de controle da comunicação. "No século 21, uma das questões é se poderemos restaurar a missão da imprensa."

Bernstein relatou que, há meio século, aos 16 anos, ao ingressar na profissão, no jornal Washington Star, aprendeu duas noções: a imprensa existe para o bem público, não apenas para fazer dinheiro ou entreter; e a imprensa deve dar a melhor versão disponível da verdade. "Claramente, isso não está acontecendo", declarou.

Como fatores de pressão contra a imprensa, Bernstein lembrou os sequestros e mortes de jornalistas e destacou o caso da equipe do jornal O Dia, do Rio de Janeiro, capturada e torturada por milicianos quando tentava apurar uma reportagem na favela do Batam.

Bernstein também citou problemas em seu país. "A administração de (George W.) Bush acusou as organizações de notícias de serem impatrióticas", lembrou, criticando também o venezuelano Hugo Chávez.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.