Berzoini afirma que Lula não manifestou idéia de afastá-lo da campanha

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse nesta quarta-feira, 20, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não manifestou a hipótese de afastá-lo da campanha à reeleição. Berzoini foi citado nesta terça-feira, dia 19, em nota da revista Época. Segundo a publicação, ele sabia que integrantes da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teriam uma reunião com a revista. Berzoini admitiu que sabia do encontro, mas desconhecia o objetivo da reunião: apresentar supostas denúncias contra o candidato pelo PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, e o ex-ministro da Saúde Barjas Negri, atual prefeito de Piracicaba.Nesta quarta-feira, contudo, Berzoini negou que representantes do partido tenham negociado a divulgação de dossiê que poderia comprometer as candidaturas dos candidatos tucanos.Ele também avalia que a Polícia Federal é a responsável por descobrir a origem do dinheiro apreendido com dois filiados do partido. Segundo ele, "não existe a menor possibilidade de o dinheiro ser de origem partidária". A campanha eleitoral do PT, segundo o presidente do partido, "é totalmente legal".O caso começou no final da semana passada, quando a Polícia Federal prendeu com R$ 1,75 milhão, em dinheiro, Valdebran Padilha, ex-tesoureiro de campanhas do PT em Cuiabá, e Gedimar Passos, que trabalha na campanha de Lula. A quantia era para Luiz Antônio Vedoin, dono da empresa que chefiava a máfia dos sanguessugas."Nós trabalhamos para que a PF possa imediatamente solucionar essa questão e apresentar os responsáveis ao País. Nós queremos que a PF faça sua apuração e apresente os resultados. Não queremos suscitar qualquer especulação. Questionado sobre a participação do ex-secretário-executivo do Ministério do Trabalho, Osvaldo Bargas e diretor de Gestão de Risco do Banco do Brasil, Expedito Afonso Berzoini, no episódio de negociação do dossiê com a revista Época, Berzoini se esquivou. "A Polícia Federal poderá esclarecer isto".A reuniãoO presidente do PT fez as declarações logo após o término da reunião emergencial, no Palácio da Alvorada, que envolveu o presidente Lula, o próprio Berzoini, o ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, além do chefe do gabinete pessoal de Lula, Gilberto Carvalho, e o marqueteiro da campanha de reeleição, João Santana.Em pauta, as denúncias de envolvimento de petistas com a compra do dossiê Vedoin, que supostamente ligariam o candidato ao governo de São Paulo, José Serra, à máfia dos sanguessugas.A imprensaBerzoini reclamou do tratamento dado pela imprensa sobre o episódio. "É óbvio que queremos ressaltar que há um desequilíbrio. Fala-se muito em relação ao que aconteceu (o flagrante), que é grave e deve ser apurado, e fala-se muito pouco em relação ao conteúdo das informações publicadas", afirmou, referindo-se aos documentos apreendidos.Em seguida ponderou: "mas essa é uma questão que vocês (imprensa) devem avaliar e ver qual é a importância de cada pauta", acrescentou. "O importante é que a campanha presidencial tenha o debate programático continuado e possamos ter um debate político de qualidade". Na entrevista Berzoini disse que a Polícia Federal está agindo com "rapidez".

Agencia Estado,

20 de setembro de 2006 | 14h16

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