Berzoini levanta hipótese de armação para desestabilizar campanha petista

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse nesta segunda-feira que seu partido não tem qualquer responsabilidade no episódio de compra de dossiê sobre a máfia das ambulâncias envolvendo tucanos. Ele levantou a possibilidade de uma armação para desestabilizar a campanha petista. "A quem interessaria conturbar a campanha a essa altura do campeonato", questionou, com a ressalva de que não fará "acusações levianas". Segundo ele, ao PT não interessa criar um fato político porque a campanha eleitoral está muito bem posicionada. O PT, afirmou ele, não tem relação com a compra de informações.Berzoini disse que somente no sábado tomou conhecimento de que o advogado Gedimar Passos trabalha na campanha petista. Segundo ele, Gedimar trabalha no setor de tratamento de informações. Ele explicou que este setor é responsável por captar as informações publicadas em jornais e sites de internet e fazer relatórios para a coordenação da campanha.Sobre Freud Godoy, o assessor especial da secretaria particular da Presidência que pediu demissão nesta segunda, Berzoini disse que pelas informações que teve Freud não teve qualquer relação com o episódio do dossiê. "Querem ganhar no tapetão?"No boletim de campanha da candidatura petista, enviado por e-mail pelo partido, as justificativas seguem a mesma linha defendida por Berzoini, de que existe uma armação para desestabilizar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Com o título "Querem ganhar no tapetão?", um texto do partido afirma que os presidentes dos dois principais partidos de oposição, os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Jorge Bornhausen (PFL-SC) "andam tendo problemas eleitorais" e, por isso, querem tirar do povo a função de decidir quem será o próximo presidente da República. De acordo com o texto, "o que não fica claro é quem, na opinião dos senadores Jereissati e Bornhausen, deve eleger o próximo presidente da República: 125 milhões de brasileiros ou um grupo de juízes? "Na tarde desta segunda-feira, os presidentes do PSDB e do PFL reuniram-se no Rio de Janeiro com o presidente do TSE para discutir uma representação contra a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República.Além disso, o texto alfineta as duas lideranças concorrentes, ao levantar a hipótese de que o caso do dossiê é golpista. "Os problemas eleitorais dos senadores não justificam o desconhecimento de uma regra básica numa democracia: ao povo cabe eleger o presidente da República. Qualquer coisa fora disto é factóide. Ou golpe."

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