Beth Carvalho critica direção da Mangueira

A cantora Beth Carvalho já admite nunca mais desfilar pela Mangueira, escola de seu coração há mais de três décadas. Na madrugada de segunda-feira, ela foi expulsa do carro dos baluartes da escola, minutos antes da entrada na avenida. "Foi o ato mais violento que já sofri", contou. "Há a possibilidade (de não desfilar mais). É a escola do meu coração. Mas só quero bem quem me quer bem." Beth disse que, até as 18 horas de segunda, não tinha recebido nenhum pedido de desculpas da Mangueira. E criticou a cúpula da escola, "inábil e desrespeitosa", pelo episódio da Marquês de Sapucaí. Disse que alguns diretores não gostam dela porque tem muita "autonomia". Mas garantiu que seu amor pela escola é mais forte que os desentendimentos com integrantes. "As diretorias passam. E a Mangueira fica." Logo depois do incidente, o presidente da Mangueira, Percival Pires, disse que não pretende pedir desculpas a Beth. Inicialmente, Percival alegou apenas que houve um desencontro na concentração. Ao ser informado de que Beth tinha sido retirada do carro por Raymundo de Castro, um dos 22 baluartes da escola, afirmou que iria se "inteirar" do assunto. "A Beth deve ter os problemas dela. Mas, desde que começou todo esse tititi, eu ainda não estive pessoalmente com ela." Dias antes do desfile, Beth pediu lugar num carro, alegando que, por problemas na coluna, não poderia desfilar no chão. Foi acertado que a sambista sairia, mas, quando ela chegou à concentração, não havia lugar no carro indicado. A cantora tentou então ir para o dos baluartes e foi expulsa. Raymundo de Castro, de 77 anos, por pouco não agrediu o integrante da diretoria que tentava colocá-la em cima da alegoria. Castro disse na segunda-feira que não queria impedir a cantora de desfilar. "Ela que fosse em outro carro. Se não desfilou, não foi problema meu." Ele atribuiu seu destempero na concentração à emoção. "Não tenho nada contra a Beth. Mas carro dos baluartes é para os baluartes. Quem quer se promover inventa qualquer doença." O carnavalesco Max Lopes foi direto: "Não posso tirar de carro alegórico uma pessoa que pagou uma fantasia caríssima para desfilar. A Beth tinha que combinar antes. E, se ela estava com dor na coluna, por que foi cantar no carnaval baiano?" Mangueirenses famosos lamentaram a briga. O compositor de MPB Moacyr Luz, parceiro de Aldir Blanc, considerou "um constrangimento, um mal-estar terrível, porque são duas entidades do samba, Mangueira e a Beth". O ator Stepan Nercessian ficou indignado com o episódio. "Expulsar a Beth da Mangueira é como expulsar São Jorge da Lua. É como eu, que sou botafoguense, ser expulso da arquibancada no jogo do meu time", comparou. O ex-craque do Flamengo Júnior, presença certa nos desfiles da Mangueira, preferiu ser conciliador. "Só posso ver isso como um grande mal-entendido. Desde que me conheço por gente, a imagem da Beth sempre foi integrada à da escola." Para ele, Beth e a direção da Mangueira deviam "sentar e conversar".

Agencia Estado,

20 Fevereiro 2007 | 08h27

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