Bicheiro encomendou morte de jornalista, diz testemunha

A morte do dono jornal Folha do Estado, de Cuiabá, Sávio Brandão, ocorrida em 30 de setembro de 2002, foi encomendada pelo bicheiro João Arcanjo Ribeiro, o Comendador, e teria custado R$ 500 mil. A revelação é de uma testemunha de acusação arrolada pelo Ministério Público Federal no processo que investiga o crime organizado de Mato Grosso.A testemunha, que não teve a identidade revelada e faz parte doPrograma Nacional de Proteção a Testemunha, afirmou na madrugada desta quinta-feira, ao juiz da 3ª Vara Federal de Cuiabá, César Augusto Bearsi, que o bicheiro foragido desde 5 de dezembro do ano passado, teria gasto ainda R$ 1 milhão pelo assassinato do sargento José Jesus de Freitas, ocorrido em 27 de abril de 2002. Pelos dois assassinatos, Arcanjo chegou a pagar R$ 1,5 milhão aos pistoleiros.A Justiça Federal começou a ouvir quarta-feira as 19 testemunhasde acusação no processo que investiga o crime organizado no Estado. Todas elas foram indicadas pelo Ministério Público em denúncia oferecida em 11 de dezembro do ano passado.De acordo com a denúncia, o Comendador, que comandava o jogo do bicho em Mato Grosso, é chefe de uma quadrilha com ramificações em vários Estados e no exterior. O bicheiro está sendo procurado em 181 países pela Polícia Federal e Interpol (Polícia Internacional).Segundo o Ministério Público, o Comendador é suspeito de tráfico de drogas, contrabando de armas, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, agiotagem e de chefiar o jogo do bicho no Estado. O Comendador também é acusado de chefiar uma quadrilha acusada de assassinatos. Investigações secretas de agentes federais apontam João Arcanjo como o chefe de uma das maiores redes criminosas já descobertas no país. Além do controle do jogo do bicho, o ex-policial civil é dono de um conglomerado de empresas, cassinos, um hotel de luxo na Flórida, Estados Unidos, dez propriedades rurais - entre elas, uma gigantesca fazenda de piscicultura, estacionamentos, um shopping center e vários veículos importados. Ele acumula fortuna há duas décadas, quando montou a Colibri, empresa que coordenava o jogo do bicho em Mato Grosso. Antes, ele atuava como segurança de políticos e empresários.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.