Bienal decide apagar as pichações de andar vazio

Anteontem, cerca de 40 pessoas causaram tumulto ao pintar colunas e paredes de área sem exposição

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

28 Outubro 2008 | 00h00

As pichações realizadas no domingo à noite no segundo piso do prédio da Bienal de São Paulo foram apagadas. A instituição decidiu remover as pichações que tomaram paredes, colunas, muretas e vidros do pavimento totalmente vazio, que integra o projeto curatorial desta edição do evento. Hoje, o público já encontrará as paredes totalmente brancas, repintadas ontem à noite. Em nota oficial, a Fundação Bienal de São Paulo afirma que a segurança do prédio será reforçada. "Somos obrigados, pelo autoritarismo e violência desses criminosos, a implementar medidas de segurança e controle do público visitante. Portanto, a fim de evitarmos transtornos e embaraços, pedimos a gentileza de que os visitantes não venham com bolsas grandes (mochilas são guardadas obrigatoriamente), pois elas terão de ficar no guarda-volumes. Todos os visitantes deverão passar por detectores de metal e, quando solicitados, poderão ser inquiridos sobre possíveis pertences metálicos." No domingo, dia de abertura da 28ª Bienal de São Paulo, um grupo formado por cerca de 40 pichadores entrou no pavilhão e, por volta das 19h35, começou a pichar grande área do segundo andar. Seguranças entraram em choque com os pichadores. Uma jovem identificada como Carol, de 23 anos, foi detida pelos seguranças e presa pela Polícia Militar, que chegou ao prédio depois das 20 horas. Enquanto a PM não chegava, o prédio foi fechado: ninguém podia entrar ou sair. Houve tumulto e mais uma pessoa foi detida. O Estado foi procurado, por telefone, por um dos participantes da ação ocorrida no domingo. "A Carol me ligou do DP e disse que o delegado falou que o crime era inafiançável e talvez ela fosse levada para um presídio", diz Cripta, como prefere ser identificado. Ele afirmou que a pichação na Bienal foi mais um ato do Movimento Além do Bem e do Mal, iniciado em julho com uma ação na fachada e nas dependências da Faculdade de Belas Artes. Depois, em setembro, houve um ataque à Galeria Choque Cultural. "Tudo caiu muito no Rafael (Rafael Guedes Augustaitiz, conhecido como Rafael Pixobomb), por causa da Belas Artes (ele era aluno da faculdade e no dia da apresentação de seu trabalho de conclusão de curso levou pichadores para o local). Mas esse movimento reúne muitas pessoas", afirma Cripta, de 24 anos, morador da zona oeste. Segundo ele, que esteve na Bienal apenas filmando a ação - o vídeo realizado não será vendido, frisa -, Rafael não participou e foram convocados pichadores de gangues de toda a cidade para invadir a Bienal. Cripta conta que primeiramente "avaliaram o terreno" durante a tarde de domingo e se reuniram às 18 horas na frente do Detran. Entraram em pequenos grupos no prédio. "Foi tranqüilo passar pela segurança. Não ser permitido entrar com bolsa era até melhor para gente, pois colocamos as latas na cintura", revela. "Essa idéia de pichar a Bienal foi ganhando força com o tempo, com a informação de que o andar estaria vazio. Pichador gosta de desafio e não teria graça se não acontecesse no dia da abertura. Pichação é resistência, ela vai lá, se apropria, não se submete a nada", afirma Cripta. No piso vazio da Bienal, outro grupo, Arac, também colocou stickers, como forma de "invasão".

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