Marinha do Brasil
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Bilhete em garrafa ajuda Marinha a resgatar 6 náufragos no Pará

A embarcação naufragou na Ilha das Flechas, onde os desaparecidos ficaram por 17 dias

Leon Ferrari e Roberta Paraense, Especial para o Estadão

14 de abril de 2022 | 13h34
Atualizado 14 de abril de 2022 | 21h02

A Marinha do Brasil (MB) resgatou, na quarta-feira, 13, seis tripulantes da embarcação “Bom Jesus”, na Ilha das Flechas (PA), a aproximadamente 150 quilômetros de Belém. Os socorristas foram acionados após pescadores encontrarem garrafa com bilhete dos náufragos. Eles estavam desaparecidos desde 27 de março, e foram encontrados em bom estado de saúde”.

“Socorro, socorro! Precisamos de ajuda, nosso barco pegou fogo, estamos há 13 dias na Ilha das Flexas (sic) sem comida. Avise nossas famílias”, informava o bilhete. Os desaparecidos também listaram o número de telefone dos parentes. 

Conforme a Marinha, a embarcação partiu de Santarém no dia 24 de março com destino ao município de Chaves, mas os tripulantes foram surpreendidos por um temporal. Eles procuravam alguma praia para se abrigar até o tempo melhorar quando perceberam que um incêndio se alastrava na cozinha. O fogo acabou provocando o naufrágio

Os seis tripulantes ficaram 17 dias na ilha. Durante esse período, dividiram alimentos que estavam na embarcação e tiveram de usar água da chuva. Dois dos náufragos, Jeferson Marcos dos Santos e Joelson Silva da Costa, então, tiveram a ideia de colocar um bilhete dentro de uma garrafa. Amarraram o recipiente em uma boia e jogaram o conjunto no mar. 

Pescadores encontraram a mensagem e alertaram as autoridades locais. “Pegamos um temporal e a embarcação pegou fogo na parte da cozinha. E nós começamos a jogar a embarcação para ver se encontrávamos uma praia”, disse Santos para a Agência Marinha de Notícias. “Conseguimos sair através de uma boia, quando escrevemos um bilhete e fomos achados.”

Santos ainda relatou que a ideia de escrever a mensagem veio de um curso feito na Marinha. “Foi dito que em casos como esses era possível escrever um bilhete, colocá-lo em uma garrafa, amarrá-la a uma boia e jogar no mar.”

O capitão fragata Rodrigo Gerundo, comandante do 1.º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Norte, disse que os náufragos ficaram emocionados quando perceberam a aproximação do resgate. “Praticamente não tinham água potável para beber. Alguns estavam sentados, outros deitados”, disse Gerundo. “Eles relataram estar se alimentando de dois em dois dias.” 

 

Segundo o capitão de fragata Ondiara Barbosa, chefe de Operações do Comando do 4.º Distrito Naval, as buscas haviam iniciado em 12 de abril. “No dia 13, uma pessoa entrou em contato dizendo que um parente havia encontrado uma boia com o nome da embarcação e uma garrafa pet com um bilhete.” 

A Marinha informou ter colaborado com órgãos estaduais no resgate. Os desaparecidos foram levados para Belém de helicóptero. Na aeronave, receberam atendimento de primeiros socorros e, depois, foram encaminhados para a Unidade de Pronto Atendimento do bairro de Sacramenta, para análises complementares. 

A Marinha vai instaurar um inquérito para apurar causas, circunstâncias e responsabilidades do acidente. A ilha fica no Arquipélago do Marajó, localizado no Delta do Rio Amazonas, que é uma área sujeita a naufrágios.

O comandante da aeronave que transportou o grupo de volta a Santarém, coronel Cristiano Loureiro, falou sobre a satisfação de levar alívio às famílias dos desaparecidos. “Imaginar que elas passaram sufoco no naufrágio e que agora podemos levá-los de volta é muito gratificante”, disse, em nota.

 

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