Bilhete único passa a durar 3h

Kassab deve anunciar a medida hoje, a 80 dias das eleições

Naiana Oscar, Bárbara Souza e Roberto Fonseca, O Estadao de S.Paulo

17 de julho de 2008 | 00h00

A 80 dias das eleições municipais, a Prefeitura de São Paulo decidiu ampliar o tempo de validação do bilhete único para três horas. Hoje, o passageiro pode fazer até quatro viagens de ônibus, pagando apenas uma, num período de duas horas. A medida deve ser anunciada hoje pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição.Em março, a Prefeitura já havia ampliado o tempo de validação para oito horas nos domingos e feriados. Uma semana depois, o governo tornou mais rígidas as regras para a recarga. Com o pagamento da passagem em dinheiro, o passageiro consegue validar o cartão por até duas vezes, desde que seja cadastrado e a última recarga tenha sido de R$ 9,20 ou mais. A medida é para combater fraudes. Para o superintendente da Associação Nacional de Transporte Público (ANTP), Marcos Bicalho, essa decisão pode causar até um aumento futuro da tarifa. "Parte dos usuários, que hoje paga duas passagens, vai pagar apenas uma." A diferença seria coberta com aumento do subsídio ou reajuste. Ele ressalta que Kassab terá de apresentar um estudo de impacto financeiro. Só em maio foram realizadas 73,6 milhões de integrações gratuitas no sistema público.Para Bicalho, a mudança não seria uma prioridade da área. Segundo o superintendente, o ideal seria investir em corredores de ônibus, melhor distribuição de linhas e integração com a rede metropolitana. Procurados, Metrô e CPTM (que compartilham o uso do cartão) informaram desconhecer a decisão da Prefeitura. ELEIÇÕESO especialista em Direito Eleitoral Everson Tobaruela considera a atitude de Kassab essencialmente eleitoreira por provocar um desequilíbrio entre os candidatos. A decisão, segundo ele, deveria ser vista com atenção pela Justiça Eleitoral. "É vedada a conduta de utilizar qualquer prática do serviço público para se favorecer.""É um ato de desespero. Por que não foi feito há seis meses?", indaga Tobaruela. Em maio d2004, o então pré-candidato à Prefeitura José Serra acusou Marta Suplicy (PT) de realizar obras de última hora com objetivos eleitorais, incluindo a adoção do bilhete único.

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