Biscoito da sorte envenena presos de Água Santa

Sete detentos do Presídio Ary Franco, em Água Santa, sofreram intoxicação depois de comer biscoitos enviados pelo correio. Um dos presos, gravemente contaminado, permanece na Unidade de Pacientes Graves do Hospital Souza Aguiar.O diretor do Departamento do Sistema Penitenciário Penal (Desipe), coronel Reginaldo Alves Pinho, acredita que os biscoitos tenham sido enviados pela máfia chinesa, já que os destinatários ? dois chineses ? eram integrantes dessa quadrilha.Pode ser vingança da máfia chinesaMas para a Polícia Federal, o envio de biscoitos da sorte envenenados pode ter sido vingança de comerciantes. O pacote, enviado por Sedex de uma agência dos Correios de Realengo, zona oeste, chegou ao presídio no último dia oito, endereçado aos chineses Peng Shengbo e Lin Bingyin.Somente nesta segunda-feira à tarde o embrulho foi entregue a eles. ?Isso ocorre há 15 ou 20 anos: o preso recebe o objeto por correio, o material é aberto na frente do detento, os agentes conferem e entregam para o destinatário. Ninguém desconfiou de simples biscoitos?, afirmou o coronel Alves.No pacote, havia também sabonetes e pasta de dente. Peng Shengbo e Lin Bingyin foram presos em 20 de dezembro passado por agentes da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários, suspeitos de serem ?representantes? no Rio da máfia chinesa que age em São Paulo.MandarimEles enviavam flores para comerciantes do Saara, comércio popular no centro do Rio dominado por coreanos e chineses. Os buquês eram acompanhados de cartas escritas em mandarim, em que exigiam entre US$ 40 mil e U$ 50 mil. Shengbo e Bingyin foram reconhecidos por comerciantes chineses de quem haviam extorquido dinheiro.?Alguém tentou se vingar deles. Se fosse a máfia chinesa, eles teriam agido no período de interrogatórios. Não agora que eles estão presos?, afirmou o delegado federal Antônio Rayol, que investigou o crime na época.Gosto estranhoNesta segunda-feira, ao provar os biscoitos, Shengbo sentiu gosto estranho nas bolachas e parou de comê-las, mas os outros detentos, todos estrangeiros e custodiados da Justiça Federal, dividiram os biscoitos. Eram eles o belga Ivan Julien Firmin Decnudee, o francês Daniel René Latinier, o nigeriano Larry Ilo, os ingleses Tony Peter Fallone e Tallen Ayoola, o angolano João Pedro Neves Dias e o chinês Bingyin.Eles começaram a passar mal à noite e foram medicados no Hospital Central Penitenciário e no Hospital Municipal Souza Aguiar. Nesta terça-feira, Latinier e Decnudee permaneciam em observação no hospital do Desipe. Fallone, o mais atingido, ficou no Unidade de Pacientes Graves do Souza Aguiar. Ele estava lúcido, mas seu estado inspirava cuidados, segundo os médicos.Perícia dos biscoitosAinda não se sabe qual a substância provocou a intoxicação. A Polícia Federal está periciando resíduos dos biscoitos. Em 11 de setembro do ano passado, sete presos do Instituto Penal Edgard Costa, em Niterói, também foram intoxicados por biscoitos contaminados. Os pacotes eram endereçados ao traficante Eduíno Eustáquio de Araújo, o Dudu da Rocinha, condenado a 26 anos de prisão por homicídio.Dudu desconfiou do presente e não comeu os biscoitos, que foram divididos por seus colegas de cela. O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, foi o suspeito de ter enviado o pacote, que continha ainda R$ 150, pentes e um porta CD.

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