Blairo rejeita convite para os Transportes

Senador diz que ''não está interessado'' em suceder Alfredo Nascimento, mas partido e Planalto vão pressioná-lo; PR trabalha pela volta de Pagot

Christiane Samarco, João Domingos e Denise Madueño / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2011 | 00h00

O senador Blairo Maggi (PR-MT), a aposta mais forte da presidente Dilma Rousseff para substituir o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) no Ministério dos Transportes, disse ontem a líderes do PR e assessores do Planalto que "não está interessado" em assumir a pasta. Apesar disso, nem o Planalto nem a bancada do PR tomaram a afirmação como um não definitivo e disseram que as negociações prosseguem.

Dilma tem o nome do interino Paulo Sérgio Passos como uma alternativa pronta para ser efetivada. O PR resiste a essa opção.

Da parte do PR, tão importante quanto escolher o sucessor de Nascimento é aproveitar a negociação para reabilitar o afastado presidente do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transporte (Dnit), Luiz Antonio Pagot. Os líderes querem levá-lo de volta ao cargo depois dos depoimentos da próxima semana, no Senado e na Câmara.

Blairo recebeu o convite de Dilma para assumir os Transportes numa conversa por volta das 21h de quarta-feira. O líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), confirmou ontem que ele era o primeiro da lista do Planalto e do partido, mas a legenda quer ganhar tempo e só voltará a conversar com Dilma na semana que vem, depois que Pagot for ouvido na terça, às 9h, no Senado, e na quarta-feira na Câmara.

A expectativa do PR é que ele se saia bem - o próprio Blairo está pessoalmente empenhado na reabilitação do amigo. Pagot esteve sempre com Blairo em postos relevantes: foi seu secretário de Infraestrutura, chefe da Casa Civil e secretário de Educação.

Isso explica o porquê de, em conversa anteontem com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, o senador ter protestado com veemência contra o afastamento de Pagot. "Não se pode desonrar um homem daquele jeito", desabafou. Oficialmente, porém, Portela informou que Blairo precisa de tempo porque está avaliando a situação.

A dúvida é se há impedimento jurídico por conta do envolvimento de empresas dele com o governo. O líder citou o BNDES e a Marinha, já que uma empresa do senador opera na área da navegação e do transporte fluvial para escoar a soja produzida.

Recado. O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) foi ontem porta-voz de dois recados da presidente para a base aliada. "Aliados não podem ser mantidos a qualquer preço", disse ao Estado. "Num governo, quem cometer erro cai." / COLABOROU LEONENCIO NOSSA

OS COTADOS

Blairo Maggi

Para o governo, o perfil de ex-governador e empresário bem-sucedido daria mais estatura ao ministério. Pesa contra ele a indicação de Luiz Antonio Pagot para o Dnit

Paulo Sérgio Passos

Quadro técnico que conhece bem a área. É filiado ao PR tendo como padrinho Valdemar Costa Neto, mas não tem apoio do partido para assumir a pasta

Luciano Castro

Tem bom trânsito na base aliada, mas recebeu doação de empresas investigadas investigadas pelo TCU por superfaturamento em obras na BR-174

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.