Blindagem já enfrenta oposição no Planalto

Bastidores

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2010 | 00h00

A operação para blindar o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, tem oposição dentro do Planalto. Ontem, um dos auxiliares próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que nos diálogos do delegado paulista com Li Kwok Kwen, o Paulo Li, um expoente da máfia chinesa, "há sinais claros de tráfico de influência".

O Planalto, no entanto, prefere que o assunto seja conduzido e resolvido pelo ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto. A ideia é não envolver o presidente diretamente no caso, afastando Lula do desgaste provocado pelo escândalo.

Mas o auxiliar do presidente opina, também, que Tuma Júnior precisa apresentar para a opinião pública, pelo cargo que exerce, explicações convincentes sobre as conversas gravadas pela Polícia Federal e as ligações com Paulo Li.

Mesmo considerando que ambos são amigos antigos, esta fonte considera que, em respeito ao cargo que o delegado paulista ocupa no governo, ele deveria se preservar e evitar contatos tão próximos com pessoas sobre as quais pairam suspeitas e que estão sob investigação.

Lula e Barreto, no entanto, não querem ficar reféns do noticiário. Por isso mesmo, não afastariam imediatamente Tuma Júnior do cargo. O natural é que, depois de baixar a poeira, ele seja aconselhado a deixar o governo de forma menos traumática.

Apesar de existirem auxiliares do presidente Lula que consideram que houve tráfico de influência, há outros que saíram em defesa de Tuma Júnior. Um deles justificou que os diálogos publicados não apontam nenhum delito e que mostram apenas que os dois são amigos e que houve uma prestação de favor por parte do chinês.

Recentemente, diante de outro vazamento de investigações da Polícia Federal, dessa vez envolvendo o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB), mais cotado para vice na chapa da candidata do Planalto à Presidência, Dilma Rousseff, a PF divulgou nota atestando que não havia inquéritos a serem abertos ou acusações contra Temer. Desta vez, a PF não emitiu nenhuma nota sobre Romeu Tuma Júnior.

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