Blitz afasta camelôs da Paulista

Guardas-civis e fiscais da Prefeitura ocuparam a Avenida Paulista na madrugada desta segunda-feira e evitaram que camelôs montassem barracas na via. A ação estendeu-se também às ruas transversais, onde freqüentemente há vendedores ambulantes.De acordo com o secretário municipal de Implementação das Subprefeituras, Arlindo Chinaglia, mais de cem pessoas participaram da operação. Nenhum conflito foi registrado no local. Parte dos agentes municipais usava roupas comuns, o que, segundo Chinaglia, evitou que as abordagens fossem feitas de maneira ostensiva. "Já vínhamos anunciando que haveria uma operação a curto prazo", afirmou.Ele garantiu que agora haverá um acompanhamento diário da avenida, com o objetivo de evitar que a via volte a ser ocupada. Fiscais e guardas-civis continuarão a monitorar a área, alguns até mesmo com o uso de rádios de comunicação. "Evidentemente essa não é a solução para todos os problemas da cidade, nem para as pessoas desempregadas", ressalvou o secretário.Na semana passada, a prefeita Marta Suplicy (PT) assinou um decreto com o objetivo de regulamentar a atividade dos camelôs na capital. Serão criados vários Conselhos Permanentes de Ambulantes para definir em que vias eles poderão atuar e em que quantidade.Alguns pontos, no entanto, serão vedados.Segundo a Administração Regional da Sé, os agentes municipais vão evitar apreensões até ficarem decididos os pontos onde os ambulantes poderão vender seus produtos.Na Rua 25 de Março, no centro, fiscais e guardas-civis continuaram nesta segunda-feira a orientar os camelôs sem licença a não montarem barracas. Sem escolha, vários dos que não tinham autorização procuravam um espaço na via. "Hoje quem tem mais de 35 anos não consegue achar um emprego", justificou o camelô Edmundo Marcos Nascimento, de 52 anos.A falta de oportunidades no mercado formal também levou o ambulante João Martins, de 30 anos, a montar uma banca para vender óculos de sol na Rua 25 de Março. "Tenho três filhos para criar", destacou. "Mandei currículo para vários lugares e fiquei três anos sem trabalho."Martins acha que a Prefeitura precisa dar um jeito para regularizar a atividade. "O desemprego em uma metrópole como essa é assustador", observou. A maioria das barracas montadas nesta segunda-feira na rua tinha licença. Aqueles sem documentação, como Nascimento e Martins, reclamavam da fiscalização intensa dos últimos dias. "Eles aparecem duas, três vezes e não nos deixam trabalhar", protestou Cléber dos Santos, de 19 anos.O camelô Mário Ferreira Borges, de 35 anos, reclamou que os agentes não têm dado trégua. "Eles me levaram quatro peças", denunciou.

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