Blitz da polícia apreende 10 mil charutos em São Paulo

A polícia saiu nesta sexta-feira pelas ruas de São Paulo com metralhadora e pistola em busca de charutos cubanos, verdadeiros ou falsificados. Delegados e investigadores do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) estiveram em oito locais de venda de charutos e, com mandados expedidos pela Justiça, apreenderam 10 mil charutos e caixas vazias.Os vendedores de charutos, como Beto Ranieri, um dos principais de São Paulo, que teve sua loja na Alameda Lorena invadida pela polícia, classificaram a ação de "arbitrária, violenta e mentirosa".O delegado Paulo Sérgio Paranhos Fleury, da Delegacia de Propriedade e Material, que chefiou a ação, disse ter instaurado inquérito e estavacumprindo solicitação de apuração de fraude comercial e formação de quadrilha.Segundo ele, o pedido foi feito pelas empresa cubana Corporación Habanos, representante dos fabricantes de charutos; a Semi, da Ilha Belise, importadora de charutos; e a Puro Cigar de Habana, de São Paulo, importadora exclusiva dos charutos cubanos para o Brasil.Ranieri explicou que vende charutos feitos em Cuba e comprados da empresa Cubalce, com sede no bairro da Pompéia, zona oeste da capital, que importa de outros países. "Não há nenhuma legislação que impeça a venda no Brasil de charutos de Cuba comprados em outros países. A polícia ignorou um documento assinado por um desembargador que permitia a venda dos charutos cubanos em meu estabelecimento e apreendeu dez caixas." Os charutos apreendidos pelo Deic têm indícios de serem falsificados ou contrabandeadosAo saber que a Puro Cigar de Habana conseguira na Justiça uma liminar para impedir a venda dos charutos cubanos, Ranieri pediu a suspensão da liminar, que foi concedida pelo desembargador Olavo Silveira do Tribunal de Justiça do Estado. "A Justiça entendeu e ficou ao meu lado. A polícia passou por cima."Trabalhando no ramo há 13 anos, Ranieri disse ainda que a Puro Cigar Habana, da Dole Holdings, quer impedir a venda a qualquer custo. "Ter a exclusividade da importação de Cuba para o Brasil é uma coisa. Querer impedir a venda do charuto que vem de outro país, mesmo sendo feito em Cuba, é uma arbitrariedade. Repito que não existe lei que impeça."A Cubalce foi visitada pela polícia. O proprietário, Arnaldo Ramos Júnior, apresentou os documentos comprovando a importação dos charutos de países como Espanha e o pagamento de impostos. Ele disse aos policiais que importa os charutos cubanos de vários países, paga os impostos e revende.A Polícia Técnica deverá informar em 30 dias se os charutos e as caixas apreendidas são falsos. "O laudo vai ser anexado ao inquérito e com ele poderemos dar uma seqüência às investigações", explicou Fleury.Ranieri afirmou que as 30 caixas vazias de charutos levadas pelos policiais do Deic estavam guardadas para serem entregues ao filho do artista plástico Aldemir Martins, que aproveita a madeira para seus trabalhos. "Ele gosta porque a madeira é de boa qualidade. Se o delegado duvida é só ligar para o Aldemir ou o filho."Fleury percorreu oito locais de venda de charutos - Supermercado Santa Maria, lojas da Rua 25 de Março, do Aeroporto de Congonhas, a Ranieri, e o escritório da Cubalce.Em todos eles apresentou os mandados de busca e de apreensão assinados pela juíza Ivana David Boriero, do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), do Tribunal de Justiça.

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