Bloco baiano cita Padre Pinto e critica Lula

O rumoroso episódio que envolveu o ex-pároco da Igreja da Lapinha, padre José Pinto, mais do que os últimos escândalos políticos foi o tema preferido, este ano, dos integrantes do bloco Mudança do Garcia, que sai sem cordas e várias bandinhas, todas as segundas de carnaval, arrastando uma multidão de mais de 50 mil pessoas em Salvador O bloco distribuiu "bordoadas" em todas direções, até contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusado, num cartaz, de beneficiar os banqueiros e em outro de esquecer dos aposentados. Como a democracia impera no bloco, numa outra ala, um grupo ligado a sindicatos controlados pela CUT, fazia campanha aberta em favor da reeleição do presidente, distribuindo panfletos que pediam "Quem manda é o povo. Lula de novo", e portando estandartes com os nomes de Lula e do ministro das Relações Institucionais Jaques Wagner, pré-candidato do PT ao governo baiano. "Os políticos sempre foram um prato cheio, sempre trabalhamos em cima dos deslizes deles: se o camarada anda direito não vai ser criticado, inclusive o presidente Lula foi avisado: não pise na bola que a Mudança lhe esfola, mas a gente não está esfolando o presidente, estamos colocando o que ocorreu, pois ele não tem culpa de governar o Brasil só com os olhos dele", definiu Lourival Sales o coordenador geral da Mudança. O Mudança usa o carnaval para satirizar os políticos e as mazelas da sociedade, pendurando cartazes com frases sobre os assuntos ocorridos no último ano, em carroças puxadas por cavalos e burros num clima de farsa total e irreverência. As frases são enviadas por moradores de todos os bairros de Salvador e selecionadas por uma comissão do Bairro do Garcia. "Extra, extra, bispo conservador coloca Pinto para fora", dizia um dos cartazes, próximo de dois outros com o mesmo assunto: "Estão confundindo o Santo Padre com o padre que deu "santo" e "Na Lapinha o Pinto soltou a franga, quem diria!". Apareceu até um "advogado de Padre Pinto", o contador João Caldas, vestido com um paletó, usando chapéu de mexicano e portando um cartaz em que aludia às sete vidas do religioso apesar de suposta perseguição do Vaticano. No burburinho que se transforma a Mudança do Garcia se integram ao bloco batuqueiros, homens travestidos de mulheres, Papai Noel em pleno calor do carnaval baiano e um grupo de poesia, o Boca de Brasa, formado por atores performáticos declamando, no cortejo, Gregório de Matos, Castro Alves e Mário Quintana. Os foliões não esqueceram o ano eleitoral, citando o "cardápio" da atual campanha presidencial: "Lula requentada, Peixe Serra e Picolé de Xuxu" e criticaram o Congresso: "Convocação extraordinária: o maior assalto legal aos cofres públicos. Cadê a ética, a moral e a vergonha dos nossos parlamentares?".

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