Douglas Magno/AFP
Douglas Magno/AFP

Bloco Beiço do Wando desfila pelas ruas de Belo Horizonte

'Fogo e Paixão' foi e primeira música executada pelo trio em ritmo de samba

Leonardo Augusto , Especial para O Estado de São Paulo

03 de março de 2019 | 13h45

BELO HORIZONTE - O Wando tem a ver com carnaval? Em Belo Horizonte tem até bloco inspirado no cantor, que morreu em 2012. O "Beiço do Wando" desfilou pelas ruas da capital mineira na manhã deste domingo, 3. A concentração foi às 8h, na Região Centro-Sul da cidade. Por volta das 10h, "Fogo e Paixão", a primeira música executada pelo trio elétrico do bloco, em ritmo de samba, não deixou ninguém parado.

O carnaval em Belo Horizonte é para todos os gostos. Tem bloco de samba, axé, sertanejo e até música eletrônica. A expectativa da prefeitura é de que a festa na capital mineira receba 4,6 milhões de pessoas, o maior número de foliões desde 2009, quando o carnaval começou a tomar corpo na capital.

O casal Lucas de Andrade, estudante de Direito, de 20 anos, e Hugo Moreira, gestor de recursos humanos, de 23, curtem a festa na cidade desde que começaram a namorar, há quase quatro anos. "Acho super importante misturar tudo, ter todos os tipos de música", afirma Lucas. "O carnaval aqui tem de tudo", diz Hugo, que aproveitaram juntos o "Beiço do Wando".

A servidora pública federal Renata Canhestro, de 40 anos, diz que o diferencial do carnaval na cidade é exatamente a diversidade dos blocos. "Sempre passo aqui". O marido, Gueiver Canhestro, de 42 anos, também funcionário público federal, curte o carnaval, mas nem tanto. "Não fico muito tempo e gosto de sombra", afirma.

O bloco "Então, Brilha", um dos maiores de Belo Horizonte, que saiu na manhã de sábado, 2, pelas ruas do centro da capital, lembrou as vítimas da barragem da Vale que se rompeu em Brumadinho. Uma sirene foi tocada durante o cortejo. O bloco fez homenagem ainda à vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro no ano passado.

Bloco X PM

A Defensoria Pública de Minas Gerais emitiu recomendação à Polícia Militar do estado depois de atrito entre organizadores do bloco Tchanzinho Zona Norte e integrantes da corporação durante desfile na sexta-feira, 1. A argumentação dos carnavalescos é de que a PM tentou impedir manifestação contra o presidente da República, Jair Bolsonaro.

A recomendação pede "a revisão dos procedimentos administrativos para que, no Estado de Minas Gerais, por intermédio de seus agentes públicos, em se tratando de manifestações políticas, durante ou após o carnaval, seja concedido irrestrito respeito ao conteúdo veiculado, que não precisa passar pelo crivo subjetivo-policial, prestando reverência apenas à legislação, o que não inclui, por óbvio, restrição ao uso de falas políticas".

Em nota, o bloco disse que "sempre foi e será um bloco político, pois o Tchanzinho Zona Norte nasceu e cresceu em um movimento de reação à imposições políticas de cerceamento de liberdades individuais e de ocupação dos espaços públicos por pessoas comuns e corpos brincantes durante a folia carnavalesca".

A Polícia Militar disse ainda não ter sido notificada do posicionamento da Defensoria Pública e que a assessoria jurídica da corporação analisará a recomendação assim que tiver acesso ao documento. Segundo a assessoria de comunicação da PM, não houve censura a nenhuma manifestação pública no dia do desfile do bloco. O que teria ocorrido, ainda segundo a assessoria, foram divergências de posicionamento político entre os próprios foliões, o que teriam levado a princípio de tumulto, obrigando a PM a agir "preventivamente", conforme a corporação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.