Bloco no Rio agora só com hora certa

Decreto do prefeito Eduardo Paes estabelece que agremiações têm de comunicar desfile com antecedência

Alexandre Rodrigues, RIO, O Estadao de S.Paulo

11 Fevereiro 2009 | 00h00

As centenas de blocos que pretendem tomar as ruas do Rio no carnaval terão de marcar hora para começar e encerrar a folia. A tradicional informalidade do carnaval de rua carioca vai ter de se adaptar à política de ordem pública que o prefeito Eduardo Paes tenta implementar na cidade. Ele publicou ontem no Diário Oficial um decreto que regulamenta os desfiles dos cordões nos quatro dias de carnaval e nos 30 dias que antecedem a festa. Quem desrespeitar as regras não vai ganhar autorização para desfilar em 2010. Ouça sambas do Rio e de SP, confira a agenda das escolas e dicas no blog A partir de agora, os blocos terão de pedir autorização às subprefeituras de suas regiões informando dia e horário do desfile. A exigência vai valer também para os blocos que tentam evitar a superlotação omitindo o horário da saída, como Suvaco de Cristo (Jardim Botânico) e Carmelitas (Santa Teresa). O decreto de Paes limitou o período de concentração do bloco em duas horas e prazo máximo de quatro para o desfile. Além de informar o horário à prefeitura, é preciso submeter às autoridades o percurso e a veiculação da publicidade de patrocinadores até em ventarolas de papel distribuídas entre os foliões. As medidas são fruto de um grupo de trabalho liderado pelo secretário Especial de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Mello, que ouviu líderes de blocos. A exigência de definir horário foi criada para que a prefeitura também possa colocar na rua seu bloco de agentes de trânsito, garis e guardas municipais. Além de melhorar as condições para quem frequenta, o secretário quer amenizar os efeitos de quem não gosta da folia mas tem de conviver com engarrafamentos, camelôs e o rastro de lixo e urina deixado pelos cordões. "Hoje os blocos saem sem avisar os órgãos públicos. A ideia é oferecer a eles infraestrutura. Uma das grandes reclamações dos turistas após o carnaval é o acumulo de lixo nas ruas. Acabava acontecendo porque o poder público não tinha conhecimento do dia e horário do bloco para que a Comlurb pudesse passar no final recolhendo lixo", disse Figueira de Mello. BANHEIRO QUÍMICO Para o secretário, as regras não ameaçam a espontaneidade dos foliões: "Pelo contrário. Organização é fundamental para que o carnaval aconteça realmente, sem incidentes." Um dos principais problemas dos blocos é a falta de banheiros, que leva foliões a usar muros, postes, árvores e até automóveis como vaso sanitário sem o menor pudor. Figueira de Mello avisa que a prefeitura tem mais de 800 banheiros químicos para instalar nos caminho dos blocos neste ano, mas reconhece que os equipamentos nunca serão suficientes. Por isso, haverá campanhas entre os foliões e também na TV, para desestimular o feio hábito de urinar na rua. Além disso, diz Figueira de Mello, a Guarda Municipal agora será orientada a tentar coibir a prática. "É até crime de atentado ao pudor", lembra SEGURANÇA A Polícia Militar do Rio reforçará a segurança de pontos turísticos no carnaval. Duzentos e dez homens serão divididos entre locais como Corcovado, Píer Mauá, Floresta da Tijuca, Lapa e Sambódromo entre os dias 20 e 28. COLABOROU CLARISSA THOMÉ GRÁTIS, AMANHÃ O Estado publica amanhã o Guia Especial de Carnaval. Os leitores receberão dicas da folia em SP, Rio, Salvador, Olinda e Recife

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