Blocos saem às ruas do Rio de Janeiro a partir de quinta-feira

Nunca se viu tantos blocos de rua no Rio de Janeiro como promete esse carnaval. A Riotur, empresa de turismo do município, calcula que pelo menos 300 grupos vão se apresentar da zona norte à zona sul. Embora pelo calendário oficial ainda faltem nove dias para a festa do Rei Momo, os foliões já estão na rua.Na quinta-feira,8, o Cordão do Bola Preta, o mais antigo da cidade, criado em 1918, faz uma prévia da sua apresentação na Praça Mauá, no centro do Rio, a partir das 18 horas. Mas o desfile do bloco para valer é no sábado de carnaval, a partir das 9 horas, quando uma multidão segue a banda pelas ruas do centro, entoando marchinhas.No sábado, dia 10, tem Simpatia é quase amor, em Ipanema, e Xupa mas não baba, em Laranjeiras. Também é o dia das crianças. O Gigantes da Lira, com palhaços e acrobatas sobre pernas de pau, faz a festa da garotada, ao som de marchinhas. O Suvaco do Cristo, que completa 20 anos, desfila pelas ruas do Jardim Botânico no domingo. Mas para evitar os brigões, a organização não divulga o horário há alguns anos. A concentração começa cedo, por volta das 13 horas.São tantos blocos que os súditos de Momo podem se dar ao luxo de escolher com que turma sambar - tem para todas as tribos. Se o que se quer é tradição, pode-se escolher entre Simpatia é Quase Amor, que completa 23 anos, Clube do Samba, surgido da roda de samba criada por João Nogueira nos anos 80, e Banda de Ipanema, tombada como patrimônio cultural da cidade. Criada em 1965 por Albino Pinheiro, a banda atrai milhares pelas ruas do bairro e é a preferida de drag queens, travestis e turistas. O grupo, que já animou Ipanema no fim de semana passado, faz mais duas apresentações - sábado e terça-feira de carnaval.Misteriosos e descoladosTem os misteriosos - blocos que cresceram tanto, que os organizadores não revelam data e horário do desfile. A divulgação fica só no boca-a-boca. É o caso do Suvaco do Cristo e do Carmelitas, um dos responsáveis pela revitalização do carnaval de rua, que costuma arrastar multidões pelas ruas de Santa Teresa na sexta-feira, véspera do carnaval, e na Terça-Feira Gorda.Há ainda os descolados. O Monobloco, de Pedro Luís, mescla marchinhas, samba, clássicos da MPB e pop. O Bangalafumenga, cuja percussão tem influência do funk, já desfilou pelo Jardim Botânico, na zona sul. Em 2007, a Riotur informa que o grupo se apresenta na Praça São Salvador, em Laranjeiras, a partir das 14 horas. No Centro, o Cordão do Boitatá faz um bailão que mistura frevo, marchinhas, chorinho e samba, no domingo, 18. O bloco já desfilou, mas começou a ficar muito cheio. Pode-se escolher o bloco até pelo inusitado do nome: Vem ni mim que sou facinha, Xupa mas não baba, Rola Preguiçosa e o Que merda é essa?! Aqui cabe explicação. O bloco desfila em sentido contrário ao Simpatia é quase amor, no domingo de carnaval. O título é em alusão à reação do folião desavisado quando percebe a massa humana sambando em direção contrária.IntermunicipaisRecentemente apareceu até bloco intermunicipal no Rio. O Se Melhorar Afunda tem concentração em Niterói, atravessa a Baía de Guanabara, e desfila no centro do Rio. Neste Carnaval, os organizadores pediram à concessionária Barcas S.A. que destine duas embarcações para os foliões, só para garantir a segurança das seis mil pessoas que eles esperam reunir.Tem também bloco por categoria profissional. Os funcionários públicos federais ligados ao Sintrasef reúnem-se no prédio do Mec, no centro, para botar na rua o Boca que Fala. Os servidores da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) tem o Bar do Chico, em Manguinhos, zona norte, como ponto de partida dos Discípulos de Oswaldo.A turma da dança de salão se junta na Casa de Dança Carlinhos de Jesus para formar o Dois pra lá, Dois pra cá. Mas se o negócio é sambar e bebericar, mas nada de bater perna atrás de bloco, não tem problema: o Concentra mas não sai, como diz o próprio nome, não desfila. E faz a festa dos preguiçosos na sexta-feira, 16. A prefeitura tem lista com horário e local de concentração de 137 blocos em seu site.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.