Bloqueio de sem-teto em estradas faz 4 feridos

O bloqueio simultâneo das rodovias Raposo Tavares, Régis Bittencourt e Castelo Branco, na região metropolitana de São Paulo, na manhã desta quarta-feira, 25, por 1,5 mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), provocou muito mais do que congestionamentos e atrasos. A repressão policial na Castelo rendeu quatro feridos leves, com estilhaços de bomba de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Na Raposo, um homem não identificado saiu de uma Blazer e partiu para cima dos manifestantes atirando para o chão. Três foram atingidos por estilhaços das balas calibre 9 milímetros. Um PM apontou o delegado Pedro Buk Forli, que trabalha no 34º Distrito Policial (Vila Sônia), como o responsável pelo disparo. A liderança do MTST também acredita que o autor dos disparos seja um policial à paisana. ?Há gente nossa que afirma ter visto ele conversando com policiais antes de partir para cima, atirando?, conta Guilherme Castro, de 22 anos, um dos líderes do movimento. Os manifestantes, identificados como Rodrigo, Benedito e Aldeílson Cerqueira de Almeida, foram atendidos no Pronto-Socorro Municipal de Cotia. Apenas o primeiro não foi liberado logo após o atendimento e até o fim da tarde de ontem esperava vaga para se submeter a uma cirurgia simples. Os estilhaços da bala atingiram Rodrigo na coxa. Castro liderava o grupo de 500 manifestantes que, às 9h30, tomaram a Raposo Tavares, fechando as duas pistas e incendiaram pneus. O mesmo procedimento foi feito nas outras duas pistas. Na Castelo Branco, quem liderava o grupo era Jota Batista; na Régis, o comando estava com Helena Silvestre. Segundo Castro, logo depois de formada a barricada de pneus, um homem passou por cima da fogueira dirigindo uma Blazer preta cuja placa não foi anotada. Além dos baleados pelo motorista, alguns manifestantes foram atingidos pelo próprio carro, mas não se machucaram. ?Foi algo inesperado. Ninguém imaginava que uma pessoa furasse o bloqueio e, pensando bem, um cidadão comum não faria isso?, diz Castro. O delegado Forli foi ouvido por seus superiores e negou a acusação. Disse que tem uma Blazer, mas que deixou-a em uma concessionária para que fosse vendida. Forli foi enviado à Corregedoria da Polícia Civil, onde voltou a negar, desta vez em depoimento formal, qualquer participação no caso. Sua arma foi apreendida e os corregedores submeteram o delegado a exame residuográfico para saber se ele usou recentemente uma arma de fogo. Jota Batista diz que a operação policial na Castelo, que incluiu a Tropa de Choque, foi ?padrão?. ?Os policiais perceberam que a solução, ali, teria de ser negociada.? A operação foi planejada em segredo. Muitos manifestantes que lotaram os 24 ônibus que partiram para o campo de ação, 8 para cada uma das rodovias, não sabiam direito qual seria o procedimento, muito menos que enfrentariam a polícia e que o método seria o bloqueio rodoviário.

Agencia Estado,

25 Abril 2007 | 20h20

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