Bloqueio na Ponte da Amizade pára "capital" paraguaia

O terceiro dia do bloqueio da Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu, no Brasil, e Ciudad Del Este no Paraguai, paralisou completamente a cidade de 500 mil habitantes, considerada a capital econômica do país, nesta quarta-feira, dia 22. Todas as lojas do Paseo San Blas, o coração comercial da cidade, estão fechadas. Em muitas, os donos e seguranças armados dormem no interior para evitar saques. A maioria dos 2.500 táxis também está parada. O prefeito Ernesto Javier Zacarias Irun calculou um prejuízo de cerca de US$ 200 milhões. O bloqueio, iniciado segunda-feira, em protesto contra a apreensão de veículos paraguaios com contrabando por fiscais da Receita Federal brasileira, é mantido principalmente pelos taxistas. Eles se opõem à proposta do prefeito, que esteve no local à tarde e sugeriu a reabertura imediata. "Ele está sendo pressionado pelos empresários, que agora estão sentindo o prejuízo no bolso", disse o líder dos taxistas, Cristian Acosta. Lideranças dos trabalhadores concordaram em reabrir a ponte à meia noite desta quarta, mas a decisão final depende de uma assembléia que será realizada esta noite. Os manifestantes consideraram "muito ruim" o resultado dos encontros de representantes paraguaios com autoridades brasileiras, em Brasília, entre terça-feira e hoje. Em Foz do Iguaçu, milhares de turistas e sacoleiros esperam a reabertura da ponte. "Cheguei segunda-feira e já encontrei a ponte fechada", disse o eletricista Claudemir Bittencourt, que viajou de Pelotas (RS) para comprar "uma câmera digital". A Polícia Militar bloqueou as vias de acesso à ponte, para evitar um risco de confronto com os manifestantes paraguaios. Nem veículos com placas do Paraguai podem passar. Brasileiros que insistem em cruzar a ponte a pé para Ciudad Del Este são avisados de que podem sofrer hostilidades.

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