Washington Alves/Reuters
Washington Alves/Reuters

Bloqueios de R$ 11 bilhões contra Vale representam metade do caixa da empresa

Mineradora deve sofrer efeitos do desastre em Brumadinho nesta segunda com abertura da Bolsa brasileira. Perdas já foram notadas no exterior

Denise Luna, Douglas Gavras e Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2019 | 03h00

SÃO PAULO - Os próximos pregões da Bolsa devem ser turbulentos para a Vale, que já viu seus papéis no exterior derreterem na sexta-feira, após o rompimento da barragem de Brumadinho (MG). Como a Bolsa brasileira não operou no último dia 25, as ações da empresa só começarão a refletir o impacto do desastre nesta segunda-feira, 28. 

Na última sexta-feira, os ADRs (como são chamados os recibos de papéis de ações) da Vale negociados em Nova York fecharam em queda de mais de 8%. A expectativa dos analistas é de que as ações da empresa negociadas na Bolsa brasileira tenham um desempenho parecido nesta segunda, ou pior. 

“A queda lá fora foi grande, mas ainda não se tinha a dimensão da tragédia. O mercado deve punir a Vale”, diz Fabio Silveira, da Macrosector. O economista-chefe da Eleven Financial Research, Adeodato Netto considera que os efeitos para a companhia são negativos de curto prazo, mas menos relevantes no longo prazo.”

Após o rompimento, no entanto, a agência de classificação de risco S&P anunciou que poderá rebaixar a nota da Vale. Segundo a S&P, o fato de uma tragédia semelhante ter acontecido há tão pouco tempo potencializa os riscos. A nota da Vale, que é BBB- em escala global, entrou em observação. 

Além do reflexo do desastre nas ações, também pesam os pedidos de bloqueio de recursos da empresa para garantir auxílio às vítimas. Somados, os pedidos na Justiça chegam a R$ 11 bilhões. A Vale encerrou o terceiro trimestre do ano passado com cerca de US$ 6,1 bilhões em caixa, lembra Glauco Legat, da consultoria Necton. Os recursos de R$ 11 bilhões representariam 48% do caixa. 

“A empresa pode arcar com o valor, mas não deixa de ser uma soma elevada. O mais provável é que a Vale tente substituir esse congelamento por outro tipo de garantia, como fianças bancárias”, avalia Legat. 

Os analistas ponderam que a Vale está em situação melhor do que na época de Mariana. “Ela reduziu sua dívida. O bloqueio é ruim, mas não compromete o curso da empresa”, diz Adeodato Netto, da Eleven Financial Research. 

Já Silveira, da Macrosector, considera que os investidores devem pressionar para que haja uma mudança na direção da empresa. “Não duvido que o mercado peça a cabeça do presidente, Fabio Schvartsman.”

A agência de classificação de risco S&P anunciou que poderá rebaixar a nota da Vale. O fato de uma tragédia semelhante ter acontecido há tão pouco tempo potencializa os riscos. A nota, que é BBB- entrou em observação.

 

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