BNDES alega ter negado o pedido por falta de garantias

Banco repudia ''insinuação'' de que concessão de crédito estaria submetida a suposto esquema [br]de tráfico de influência

Alexandre Rodrigues, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou ontem que o pedido de financiamento para um projeto da empresa EDRB foi rejeitado pela instituição por critérios técnicos. Em nota, repudiou a "insinuação" de que a concessão de crédito estaria submetida a um suposto esquema de tráfico de influência na Casa Civil.

Segundo o consultor Rubnei Quícoli, representante da EDRB, a recusa do financiamento deveu-se ao rompimento de acordo para o pagamento de comissões à consultoria do filho da ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra. Segundo o BNDES, o pedido de crédito da EDRB era de R$ 2,25 bilhões, e não de R$ 9 bilhões, como afirma Quícoli.

De acordo com o banco, o montante pedido para a construção de torres de energia solar no Nordeste foi considerado incompatível com o tamanho da empresa pelo corpo técnico do BNDES. Além disso, a proposta não apresentava garantias e não indicava a definição do local do empreendimento.

O pedido foi negado já na primeira fase de tramitação de pedidos no BNDES, quando as empresas solicitantes enviam cartas-consulta. Depois disso, a proposta ainda precisa passar pelo enquadramento, análise setorial e aprovação pela diretoria para então alcançar a contratação e o desembolso dos recursos.

O volume pedido pela EDRB é considerado alto para os padrões de financiamento do banco. O financiamento ao plano de investimentos da Mercedes-Benz até 2011, por exemplo, é de R$ 1,16 bilhão. Já o de uma termelétrica no Porto de Pecém é de R$ 1,4 bilhão.

Embora seja rotineira a contratação de consultorias especializadas, o BNDES não exige intermediários para os pedidos. Ao contrário, desaconselha o uso de consultorias, oferecendo cartilhas explicativas e atendimento técnico no próprio banco. Empresários podem se reunir com técnicos do BNDES antes de apresentar propostas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.