BNDES refuta críticas ''animadas pelas eleições''

Acossado por críticas ao súbito crescimento dos seus desembolsos na esteira da crise com o aporte de R$ 180 bilhões do Tesouro Nacional em dois anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem respondido discretamente à oposição. Na quarta-feira, o presidente do banco, Luciano Coutinho, avisou que não vai entrar "no clima das torcidas".

ALEXANDRE RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2010 | 00h00

Na apresentação do balanço de desempenho em 2010, Coutinho refutou as críticas de que o banco concentra recursos em grandes empresas. E mostrou dados localizando em 21,8% a participação dos dez maiores clientes do BNDES, como Vale e Petrobrás, nos desembolsos de janeiro de 2008 a junho de 2010. O grupo teve 23% do crédito em 2009 - sem o empréstimo de R$ 25 bilhões para a Petrobrás. Com a operação, o índice sobe para 37% - abaixo do pico de 38% em 2000, no governo FHC.

Coutinho ressaltou não querer comparar governos, mas mostrar a estabilidade de participação desses grupos na série histórica do banco, reflexo da concentração dos investimentos na economia. "É normal que as torcidas fiquem animadas no período eleitoral. Mas temos números e fatos que nos deixam tranquilos."

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, tem se posicionado contra financiamentos com juros subsidiados. O consultor econômico de Marina Silva (PV), Eduardo Giannetti da Fonseca, também fez restrições ao crescimento do banco.

Há mais de um mês, Coutinho pediu estudos à área de pesquisa econômica do banco e prometeu mostrar ganhos econômicos e fiscais dos investimentos viabilizados superiores aos custos dos empréstimos. Ele diz estar afinando números com o Ministério da Fazenda. Sobre as suspeitas de favorecimento a grupos empresariais com a compra de debêntures e participações acionárias, o banco diz serem operações sem subsídio.

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