Boate que dará lugar ao projeto fez história nos anos 90. E ainda está aberta

Inaugurada há 25 anos, a discoteca Help consolidou-se na década de 1990 como um dos principais redutos de prostituição no País. Lá dentro, não há mulher sem roupa, nem performance erótica, como em outras boates de Copacabana. Para entrar, cada um - homem ou mulher - paga R$ 28 antes de meia-noite, e R$ 38 até o fechamento, no fim da madrugada. Cabem 2 mil pessoas. Mulheres vão em busca de clientes, e vice-versa, geralmente estrangeiros. Em 2008, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) disse: "Desapropriei a Help, que é um antro de prostituição. Vamos construir ali o novo Museu da Imagem e do Som." O governo do Estado depositou em juízo R$ 13 milhões para a desapropriação do terreno, de 1.600 metros quadrados, na Avenida Atlântica, mas o valor está sendo questionado na Justiça. Enquanto isso, a Help continua funcionando, e o famoso painel de pernas, iluminado. Em 2005, quando esteve no Rio, o escritor australiano DBC Pierre ficou hospedado em Copacabana. "Essa discoteca tem uma ótima reputação nos EUA. Há sites dizendo que não se paga muito por uma mulher, ensinando como conseguir as mais novas. É muito triste. O livro que estou terminando é sobre isso." Para a ex-prostituta Gabriela Leite, autora do livro Filha, mãe, avó e puta (Objetiva), a Help é "um dos melhores lugares do Rio para a prostituta trabalhar". "Sinto muito que está fechando. A Help nunca foi de explorar. As pessoas vão continuar a existir. Esse moralismo e tentativa de higienização são preocupantes."

Alexandre Rodrigues e Felipe Werneck, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2009 | 00h00

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