Bola evita perguntas e reafirma inocência no caso Bruno

Julgamento do ex-policial, acusado de matar e esconder o corpo de Eliza Samudio, deve seguir durante todo o sábado

Bruno Marques - Especial para O Estado - atualizado às 18h18

27 Abril 2013 | 12h02

CONTAGEM - Depois de se estender até a madrugada deste sábado, o julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de matar e ocultar o cadáver da ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, Eliza Samudio, foi retomado às 10h20 da manhã deste sábado. O promotor Henry Wagner afirmou ao que a expectativa é de que o julgamento vá até a madrugada e o caso tenha uma "decisão condenatória". O advogado da defesa informou que continuará não falando com a imprensa.

A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues reiniciou o interrogatório do réu pedindo para Bola explicar por que teve seu direito de defesa cerceado e que, por isso, estava se recusando a responder algumas perguntas. Bola, visivelmente abalado, relatou como foi preso, no dia 8 de julho de 2010. O réu afirmou que entrou em contato com a imprensa, por meio da jornalista Shirley Barroso, dizendo que estava na casa de sua tia, em Belo Horizonte, após ver a sua foto e de sua neta na televisão.

O réu afirmou que o delegado Júlio Wilquer chegou à residência de sua tia antes de a jornalista e foi conduzido para a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa e que lá, durante o interrogatório, o delegado Edson Moreira afirmou existirem dois tipos de anjos: anjo bom e anjo mau. O anjo bom seria aquele que "conversa sem arrogância e sem agressão física", que era o caso do delegado Júlio Wilquer, e que o anjo mau é aquele que "conversa com arrogância com o preso, que bate na mesa e pode até agredir fisicamente". De acordo com Bola, o delegado Edson Moreira afirmou que iria agredi-lo e colocá-lo no "pau de arara", mas apenas o ameaçou.

Durante o depoimento, Bola reafirmou sua inocência e diz estar preso injustamente. Após a juíza, foi a vez do promotor de Justiça, Henry Wagner, começar a fazer perguntas. Durante o questionamento, Bola respondeu repetidas vezes ser inocente. Depois afirmou estar debilitado e que não estava em "suas melhores condições" para falar.

A juíza Marixa Rodrigues passou então a palavra à assistentes de acusação, mas Bola esquivou-se novamente e o advogado do réu, Ércio Quaresma, recomeçou a fazer perguntas.

Notadamente, o advogado tentou sensibilizar o júri de que o acusado está distanciado da sua família. Ao falar sobre sua esposa e filhos, Bola chorou e se disse religioso. Quaresma perguntou se Bola já havia assassinado alguém dentro de sua própria casa. “Nunca matei ninguém, principalmente não mataria dentro da minha casa”, respondeu o ex-policial.

Questionado se esteve alguma vez com Eliza, o réu respondeu que não e que só a conhecia pela televisão. O réus também negou que tenha ameaçado Jaílson, seu ex-colega de cela, durante a acareação no DEOSP.

Acusação. Durante sua explanação, ao longo da tarde, o promotor de Justiça Henry Wagner Vasconcelos se voltou para Bola e disse apontando para ele: "Estamos diante de um assassino profissional, de um psicopata". Marcos Aparecido dos Santos, de braços cruzados, olhou o promotor nos olhos e o observou da cadeira do réu. Segundo o promotor, no dia 10 de junho, quando foi cometido o assassinato, Bola recebeu uma ligação de Gilson Costa, que seria um "velho amigo de matança de Bola". Em seguida, ainda de acordo com Vasconcelos, Macarrão recebeu um telefonema de Bola. Os dois trocaram telefones de cerca das 10h da manhã do dia 10 de junho até a noite do mesmo dia.

Bola teria se deslocado então para Vespasiano, em Minas Gerais, onde fica o sítio do goleiro Bruno. Segundo o promotor, às cerca de 22h35 do dia 10 de junho, teria um contato telefônico de Bola para Macarrão, então braço direito do goleiro. Seria o último contato de voz feito entre os dois. O sítio de Bruno foi abandonado no dia 25 de junho, a mando de Macarrão. Este foi o mesmo dia que a polícia chegou ao local. Na manhã do dia 26 de junho, Bola liga pela manhã para o amigo e advogado Ércio Quaresma.

O promotor, avisado pela Juíza Marixa Rodrigues sobre o término do seu tempo de oratóra, encerra sua fala e termina dizendo "rogo aos jurados pela condenação do réu pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samudio".

Defesa. O advogado Ércio Quaresma voltou a falar por volta das 17h. Em sua explanação, ele apontou veementemente para o júri, dizendo para os jurados não serem "carrascos". O defensor afirmou que o peso mais duro e mais cruel está com os jurados.

Quaresma alegou que os sete jurados, quatro homens e três mulheres, não estão aptos para decidir, porque não foram disponibilizadas todas as informações para que eles pudessem tirar suas próprias conclusões. Quaresma afirmou haver manipulação das quebras de sigilo telefônico e das informações que constam no processo.

O advogado questionou a afirmação do promotor Henry Wagner Vasconcelos, de que Dayanne Rodrigues, ex-mulher de Bruno, soubesse do sequestro de Eliza Samudio apenas no dia 9 de junho, véspera do assassinato. Segundo ele, a noiva do goleiro Bruno sabia do sequestro e foi alvo de um acordo para ser absolvida.

"Se alguém fez alguma coisa, não foi aquele cara", afirmou Ércio Quaresma, apontando para Bola.

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