Bola nega crime e diz que delegado pediu R$ 2 mi para tirar Bruno do inquérito

Ex-policial é acusado de ser o executor de Eliza Samudio e alegou que frequentava faculdade no suposto momento do crime; ele aceitou responder apenas a perguntas de seu advogado

Eduardo Kattah - O Estado de S. Paulo,

12 Novembro 2010 | 14h16

CONTAGEM - Acusado de ser o executor de Eliza Samudio, o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, alegou nesta sexta-feira, 12, inocência no desaparecimento e possível morte da ex-amante do goleiro Bruno Fernandes. Em depoimento à juíza Marixa Rodrigues, no Tribunal do Júri de Contagem (MG), Bola fez várias acusações contra o delegado Edson Moreira, que chefiou o inquérito policial. A audiência de instrução foi encerrada com o depoimento do ex-policial e de Fernanda Gomes Castro, ex-namorada de Bruno, que pediu "perdão" e admitiu que mentiu no depoimento prestado à Polícia Civil, quando disse que nunca tinha visto Eliza Samudio.

 

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Respondendo somente a seu advogado, Luiz Alberto de Oliveira, Bola negou as acusações e, como álibi, alegou que compareceu fisicamente e assistiu a uma aula de um curso superior à distância que fazia numa faculdade na região da Pampulha, em Belo Horizonte, na noite do dia 10 de junho - data em que, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, Eliza foi morta por asfixia pelo ex-policial.

 

No primeiro depoimento que prestou à polícia, o menor J., primo de Bruno, disse que Bola, após matar Eliza, esquartejou seu corpo e jogou partes para cães da raça rotweiller. O ex-policial afirmou que seus cachorros não foram treinados para atacar e que os animais não "comiam carnes cruas". Bola justificou os contatos telefônicos com Luiz Henrique Romão, o Macarrão, pois queria que ele ajudasse o filho a se tornar jogador de futebol.

 

"Anjo mau". O ex-policial se recusou a responder às perguntas da juíza Marixa Rodrigues, do promotor Gustavo Fantini e dos assistentes da acusação. Aceitou apenas responder aos questionamentos do seu advogado.

 

No depoimento, alegou que foi "torturado psicologicamente" por Moreira. Disse que mantém uma rixa com o delegado desde o início dos anos 1980, quando era aluno da Academia de Polícia Civil de Minas Gerais (Acadepol).

 

"Ele é meu inimigo. Ele é o anjo mau, o que impõe terror. A toda hora ele me ameaçava, dizendo que queria pelo menos a perna da moça (Eliza), pois era a carreira dele que estava em jogo", disse Bola, que chorou ao falar das supostas ameaças. "Ele me ameaçou de morte e aos meus familiares."

Bola também disse que Moreira pediu que intermediasse uma tentativa de extorsão contra Bruno para que o goleiro e ele fossem retirados do inquérito. A mesma acusação foi feita por Bruno em seu depoimento na quinta-feira. Segundo o ex-policial, o delegado teria solicitado que ele pedisse "ao patrão" R$ 2 milhões. Moreira não quis comentar as acusações.

 

"O filho era a razão da vida dela". À juíza, Fernanda Castro alegou que mentiu sobre Eliza porque passava por um momento de "desespero" e queria provar sua inocência. A ex-namorada de Bruno disse que conheceu a jovem quando ela foi levada por Luiz Henrique Romão, o Macarrão, para a casa do goleiro no Rio de Janeiro, no início de junho - antes da viagem para Minas.

 

Fernanda afirmou que na manhã de sábado, no dia 05, em conversa com Macarrão, Eliza disse que "queria mudar de vida" e parar de fazer filmes pornográficos, pois havia se tornado mãe e "o filho era a razão da vida dela".

 

A ex-namorada de Bruno assegurou que não viu nenhum ferimento na cabeça de Eliza e nem hematomas no corpo da jovem. Mas disse que a ex-amante do goleiro contou para ela que, no trajeto até a residência, tinha sido agredida pelo menor J. - primo de Bruno - com um soco no rosto após dizer que o goleiro era um "canalha" por não reconhecer a paternidade de seu filho.

 

Segundo Fernanda, Eliza disse que se relacionou com Bruno durante cerca de três meses e reclamou que Macarrão - que intermediava a relação dela com o atleta - sempre prometia que o goleiro iria fazer o exame de DNA, mas ficava "enrolando".

 

A ré disse que desconhecia qualquer acordo financeiro entre Bruno e Eliza. Mas afirmou que a jovem contou que o goleiro havia proposto a ela que fosse morar com o filho em Belo Horizonte, onde ficaria perto de seus familiares. Elisa disse que passaria a semana na capital mineira para procurar um apartamento. Porém, questionada pelo promotor Gustavo Fantini, a depoente contou que Bruno nunca comentou com ela essa proposta. Para a ex-namorada de Bruno, Eliza não parecia estar com medo, e aparentava felicidade pela promessa do apartamento.

 

Sequestro. Na viagem do Rio para a região metropolitana da capital, Fernanda disse que Bruno chegou a dar carona para um policial, mas não soube dar detalhes. O goleiro e ela, disse a ex-namorada, viajaram em uma BMW que Bruno pegou emprestada; Macarrão, J., Eliza e o bebê seguiram na Range Rover do goleiro. A polícia tratou a viagem como sequestro.

 

Quando Bruno e Macarrão retornaram ao Rio, Fernanda disse que perguntou ao braço-direito goleiro se ele tinha conseguido arranjar o apartamento e ele disse que não, afirmando que Eliza havia "deixado o neném no sítio e teria ido a São Paulo buscar umas roupas e que voltaria". Segundo ela, Macarrão afirmou que Bruno tinha dado R$ 30 mil para Eliza - mesma versão dada pelo goleiro em depoimento na quinta-feira. "Achei estranho porque ela não tinha levado o neném, mas o Macarrão disse que ela voltaria logo".

 

Fernanda também contou que Bruno disse a ela que estava com medo de ter caído em uma "armação" de Eliza. "De ela não voltar e depois arrumar problema para ele por ter deixado o bebê (no sítio)."

A juíza informou que irá abrir vistas dos autos para alegações finais do Ministério Público e da defesa dos acusados. Se forem pronunciados, os réus serão levados a júri popular.

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