Gabriela Biló/Estadão - 19/8/2020
Gabriela Biló/Estadão - 19/8/2020

Bolsonaro diz que 'comércio de armas ainda está restrito' e defende 'o máximo de liberação'

'Os caras querem sempre relacionar o armamento com o número de violência', disse o presidente durante entrevista que concedeu ao filho Eduardo Bolsonaro. Pauta é uma das bandeiras de campanha

André Borges, Amanda Pupo e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2020 | 19h50

BRASÍLIA – Em mais uma defesa pela liberação geral de armas, o presidente Jair Bolsonaro disse, neste sábado, 19, que o acesso ao armamento ainda é limitado no Brasil e que fará de tudo para ampliar as autorizações para que a população se arme.

“O comércio de armas no Brasil ainda está restrito. Essas armas de maior potência que o pessoal tem vêm de fora, vem de há muito. Agora... os caras querem sempre relacionar o armamento com o número de violência”, disse o presidente, durante entrevista que concedeu ao próprio filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que usou a camiseta de um clube de tiros de Criciúma (SC), durante a conversa gravada.

Todos os estudos já realizados mostram que o aumento da violência e das mortes por armas de fogo estão diretamente atrelados ao acesso às armas.

Bolsonaro lembrou que boa parte das mudanças possíveis sobre o assunto precisam passar pelo Congresso Nacional, mas declarou que não medirá esforços para que haja maior liberação. “No que depender de mim... depende do parlamento, muita coisa... a arma vai ser bastante democratizada no Brasil.”

Eduardo Bolsonaro perguntou ao pai sobre o que policiais, atiradores, caçadores e colecionadores podem esperar sobre o assunto para o próximo ano. “No que depender de mim, o máximo de liberação”, respondeu o pai.

O presidente repetiu a frase que ficou conhecida após o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril vir a público. Na ocasião, Bolsonaro afirmou que queria a população armada para “impedir uma ditadura no País”, e exigiu que o ministro da Defesa, Fernando de Azevedo e Silva, e o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, tomassem providências. “Eu quero todo mundo armado! Que o povo armado jamais será escravizado.”

Nesta semana, Bolsonaro reclamou da recente decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu a alíquota zero para importação de revólveres e pistolas. Em evento em Porto Seguro (BA), o presidente afirmou que o STF não poderia revogar a isenção por não “gostar de arma”.

A flexibilização de regras que facilitem a posse e o porte de armas no País é uma das bandeiras de campanha do presidente Jair Bolsonaro. Em junho, o Estadão mostrou que lobistas e empresários de armas e munições têm presença assídua nos gabinetes do governo de Bolsonaro – de janeiro a abril deste ano foram ao menos 73 audiências e reuniões com representantes do setor.

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