Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsonaro diz que agora tem a 'conversinha' de segunda onda do coronavírus

Na saída do Palácio da Alvorada, presidente fala sobre a pandemia da covid-19 ao comentar a atuação do ministérios de seu governo

Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2020 | 13h15

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro chamou de "conversinha" a possibilidade de uma segunda onda de contágio do novo coronavírus no Brasil. Em conversa com apoiadores, nesta sexta-feira, 13, Bolsonaro disse que, se houver de fato uma nova fase de contaminação, será preciso "enfrentar" a doença, caso contrário o País se tornará uma nação de "miseráveis". À saída do Palácio da Alvorada, o presidente minimizou mais uma vez a pandemia da covid-19 e afirmou que, se depender dele, a vacina “nunca, jamais” será obrigatória.

"Vocês vejam o que era antes, como eram os ministérios, como tudo era aparelhado no Brasil, e como estão funcionando apesar dessa pandemia aí, que nos fez gastar mais de R$ 700 bilhões", afirmou Bolsonaro. "E agora tem a conversinha de segunda onda. Tem que enfrentar se tiver (segunda onda). Se quebrar de vez a economia, seremos um País de miseráveis. Só isso", completou.

É a segunda vez, somente nesta semana, que Bolsonaro minimiza a pandemia, enquanto países europeus já apresentam indícios de uma segunda onda da doença, e o número de casos se mantém alto nos Estados Unidos. Na terça, 10, o presidente subiu o tom ao dizer que o Brasil "tem que deixar de ser um País de maricas" e enfrentar o coronavírus. "Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um País de maricas”, afirmou ele, em cerimônia no Palácio do Planalto. 

Ao ser questionado por apoiadores, nesta sexta, Bolsonaro evitou responder quando um imunizante contra a covid-19 chegará ao Brasil e insistiu em seu posicionamento contrário a uma vacinação obrigatória. "Não vou fazer exercício de futurologia para você, 'tá' certo? Tem certas coisas que não pode correr", respondeu o presidente a uma mulher que quis saber quando a vacina estaria disponível.

Logo depois, Bolsonaro comparou a vacina a um "produto bélico". "Toda a vacina é igual produto bélico. Nenhum país compra um armamento de outro país se aquele país não está usando aquilo lá", disse. "Se a gente quiser comprar uma vacina de um país X, aquele país tem que vacinar seu povo para mostrar que ‘Olha, estamos botando no nosso povo para provar que não tem problema’. Daí vem para cá e, no que depender de mim, nunca, jamais, será obrigatória".

Em mais uma queda de braço com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Bolsonaro chegou a dizer, na terça-feira, 10, que a Coronavac causava “morte, invalidez e anomalia”. Após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) interromper os testes clínicos da vacina por causa de um "evento adverso grave", o presidente afirmou, nas redes sociais, ter vencido “mais uma” contra Doria. “Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”, escreveu ele nas redes sociais, referindo-se a si mesmo na terceira pessoa.

A Anvisa havia suspendido os testes por causa da morte de um voluntário que participava dos exames, mas o caso foi registrado como suicídio. Diante desta constatação, a Anvisa autorizou a retomada dos testes com a Coronavac. A vacina é produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã, em São Paulo. Bolsonaro sempre se refere à Coronavac como “vacina chinesa do Doria”.

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