Bombas destroem bases da PM

Atentados ocorreram na madrugada, em Barra Bonita (SP); ninguém se feriu e 2 foram detidos

Chico Siqueira, O Estadao de S.Paulo

04 Agosto 2009 | 00h00

Atentados a bomba destruíram, na madrugada de ontem, duas bases comunitárias da Polícia Militar de Barra Bonita, a 302 quilômetros de São Paulo. Numa das bases, na zona norte, a força da explosão, ocorrida por volta das 2h20, derrubou o teto, portas e janelas e ainda destruiu computadores, radiocomunicador, telefones e todos os outros móveis que estavam no interior do prédio, que agora será demolido porque não há como ser restaurado. A outra explosão ocorreu dez minutos depois, na Base Comunitária Sul, na região central da cidade. O prédio ficou destelhado, a porta foi arrancada e estilhaços de vidro das janelas foram parar na rua. Por sorte, não havia ninguém no interior das duas bases. Mesmo assim, moradores acordaram assustados com o forte barulho das explosões, mas não souberam apontar suspeitos, apenas disseram à polícia que ouviram barulho de carros e de motos, momentos antes das explosões. A Polícia Civil prendeu dois suspeitos, um deles fugitivo de uma penitenciária de Bauru, cidade próxima. O outro é um morador de Barra Bonita, que o acompanhava. Mas nenhum dos dois confessou a participação nos atentados. O primeiro foi enviado de volta para o sistema penitenciário para cumprimento da pena em regime fechado e o segundo acabou liberado. "Mas as roupas de ambos foram enviadas para perícia para saber se há vestígios de pólvora", disse o delegado de Barra, José Carlos Nunes, que investiga o caso. Agentes do Esquadrão Antibombas passaram o dia na cidade, avaliando o que restou das duas bases. Recolheram fragmentos que serão periciados em São Paulo e deverão apontar quais tipos de explosivos foram usados nos ataques. Os prédios continuarão interditados, à espera de uma nova perícia. Depois disso, um deles será demolido e outro, possivelmente, será restaurado. Nunes disse que não descarta a possibilidade de o crime ter sido praticado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), em vingança contra a prisão, nos últimos meses, de integrantes de uma quadrilha de assaltantes de residências. "A maneira como o crime foi praticado nos leva a incluir essa possibilidade na linha de investigação", disse. BOTUCATU Em 10 de novembro de 2008, bandidos invadiram o prédio de uma delegacia da Polícia Civil, roubaram armas e drogas, incendiaram os arquivos e, antes de fugir, explodiram o prédio, em Botucatu, interior paulista, distante 238 quilômetros da capital. Ninguém ficou ferido. No dia 30 daquele mesmo mês, dois suspeitos foram presos em Lençóis Paulistas (a 280 quilômetros de São Paulo); outros cinco acabaram detidos em Sorocaba, uma semana depois. Entre os presos estava o traficante Daniel Leandro Perger, de 27 anos, acusado de ser o mentor do crime. Outras quatro pessoas teriam planejado o crime de dentro de presídios. A polícia, porém, não confirmou o envolvimento do PCC.

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