Bombeiro comparece ao enterro do motorista da van

O alívio de finalmente poder enterrar o filho Reinaldo Aparecido Leite, 40 anos, motorista do microônibus soterrado na cratera do Metrô, estava estampado no rosto de Augusta Maria do Carmo Leite, 63 anos. O enterro também foi acompanhado pelo bombeiro Mário Moro, que participou do resgate e disse ter criado "laços com a família".Também nesta sexta-feira, foi velado em Guarulhos o corpo do cobrador da van, Wescley Adriano da Silva, 22 anos, que será enterrado em Natal, Rio Grande do Norte, onde moram familiares.Augusta se mostrava forte e quase não chorou. "Para mim, a agonia acabou. Sei que ele morreu como um trabalhador e como um herói", disse.Para a irmã do motorista, Marli Leite, 39 anos, o período de buscas serviu para preparar a família. "Depois de sete dias, estamos aqui mais fortes, mais maduros." Nove microônibus levaram parentes e amigos para o cemitério. De acordo com a Guarda Civil Metropolitana, 300 pessoas participaram do cortejo. Escolhido para manter a família de Reinaldo informada sobre o resgate, o bombeiro Mário Antônio Pires Moro fez questão de ficar no enterro. "Acabamos criando laços com a família", disse o bombeiro.Entre os amigos e familiares, Reinaldo é lembrado como um pai dedicado e um trabalhador companheiro e alegre. Terceiro irmão de sete filhos, foi criado de forma humilde. "Era um filho muito bom, nunca me respondeu mal e começou a trabalhar logo cedo para nos ajudar", disse o pai da vítima, José David Leite, 69 anos.A mulher do motorista, Ezilene Gomes Dourado, chorou durante quase toda a cerimônia. A filha do casal, Karina, 11 anos, ficou perto da mãe. "Meu marido era tudo para mim", disse Ezilene. "Nossa filha ainda não entende direito o que está acontecendo." Sobre a indenização, Ezilene diz que "nenhum dinheiro vai trazê-lo de volta", mas que vai procurar seus direitos. O enterro foi pago pelo Consórcio Via Amarela. O prefeito Gilberto Kassab compareceu ao velório, assim como o governador José Serra e o secretário de Justiça, Luiz Antônio Guimarães Marrey. "Vir aqui é o mínimo que podemos fazer", disse Serra.

Agencia Estado,

19 de janeiro de 2007 | 21h45

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