Bombeiros ainda buscam vítimas de acidente do Metrô de SP

Equipes do Corpo de Bombeiros passaram o sábado à procura de sete possíveis vítimas no canteiro de obras do metrô de São Paulo que desabou na sexta-feira e levou à interdição de diversas casas na região e do tráfego de uma das principais vias da maior cidade do País.Os trabalhos seguiam lentamente, já que o terreno onde ocorreu o acidente ainda apresentava instabilidade. Outro fator de preocupação era o guindaste, com cerca de 50 toneladas, que se encontrava levemente inclinado à beira do buraco.O governador de São Paulo, José Serra, e o prefeito Gilberto Kassab disseram, entretanto, que técnicos garantiram que não existia risco de queda do equipamento.Até o início da noite, o desmonte do guindaste não havia começado. Nenhuma vítima havia sido encontrada.Serra disse que a prioridade no momento é atender as vítimas do desastre, tanto as possíveis pessoas soterradas --dois pedestres, um caminhoneiro e quatro pessoas em um microônibus-- quanto as 42 famílias desalojadas por riscos de mais rupturas do solo."Há um empenho de se procurar eventuais vítimas que estariam dentro de veículos que estariam soterrados. Está sendo feita uma busca nesse sentido, inclusive tomando cuidado para que outras obras necessárias, agora, de reparo, não afetem a possibilidade desse socorro", afirmou o governador a jornalistas.Durante o dia, ao menos um caminhão e dois carros foram retirados do local. No momento do acidente, no meio da tarde de sexta-feira, vários veículos tombaram e os edifícios Passarelli, que abriga 16 empresas, e da Editora Abril, além de residências no local, foram esvaziados.Familiares dos desaparecidos passaram o sábado no local do acidente procurando por informações.CausasO Instituto de Pesquisa Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo fará uma avaliação das possíveis causas do acidente a pedido do governo. O secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, evitou especular sobre o que poderia ter provocado o desmoronamento. "Você só vai saber quando o IPT tiver o laudo", disse."Tudo vai ter que ser analisado mais cientificamente para poder se chegar a uma conclusão", acrescentou o governador.O Consórcio Via Amarela, responsável pelas obras, afirmou em nota à imprensa que as chuvas que ocorreram na cidade podem ter provocado o acidente."As fortes chuvas das últimas semanas que assolaram a capital paulista com grande intensidade e duração levam a indícios de que teriam causado uma reação anômala e inesperada no maciço de terra em que se encontra a obra, provocando o seu repentino colapso e conseqüente desmoronamento."O consórcio é integrado pelas construtoras Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez.Na nota, o consórcio disse ainda que o projeto da linha 4 do metrô é de alto risco e que, por isso, "o acidente não é indicativo de falha ou negligência".O Ministério Público de São Paulo vai abrir inquérito para investigar as causas do acidente. Um laudo criminal também será feito, segundo informou o delegado Paulo Peres, do 14º distrito policial, que acompanha as investigações.Portella negou que a direção do Metrô tenha falhado na fiscalização das obras. "O Metrô não está fazendo a obra, quem faz a obra é o consórcio... O Metrô fiscaliza e acompanha. Agora, a responsabilidade pela execução, pelo projeto, é das empresas construtoras", disse o secretário a jornalistas.O tráfego de veículos pela Marginal Pinheiros, nas proximidades do desabamento, seguia interditado até o início da noite de sábado, mas o governador disse que o trânsito poderia ser liberado na via expressa a partir da noite de domingo.Caso o tráfego não possa ser liberado, a prefeitura de São Paulo vai antecipar a volta do rodízio de veículos.Mudanças"No caso das marginais (vias expressa e local) continuarem interditadas segunda-feira, provavelmente não estarão, mas se estiverem, que os paulistanos estejam preparados porque segunda-feira será restabelecido o rodízio de veículos", disse o prefeito Gilberto Kassab.Apesar da interrupção das obras por conta do acidente, Serra disse que o cronograma de execução não deve sofrer atrasos."Dá para recuperar eventuais atrasos que aconteçam", disse o governador. As obras da linha 4, que terá uma extensão de 12,8 quilômetros, estão programadas para serem concluídas em 2008.Serra destacou ainda que o acidente não acarretará aumento de custos no empreendimento, o primeiro do país a ser feito dentro dos parâmetros da Parceira Público-Privada (PPP), que combina investimentos dos dois setores. "É obvio que isso... não vai implicar em nenhum aumento de custo do Metrô. Isso está por conta das companhias e do seguro", disse o governador.O buraco no canteiro de obras da futura estação de Pinheiros do Metrô foi aberto há cerca de um ano para a entrada de pessoal e equipamentos que estavam sendo utilizados na construção túnel por onde passará a linha 4 do sistema de transporte.Inicialmente, o buraco tinha 30 metros de profundidade e 40 metros de diâmetro. Com o desmoronamento, o fosso aberto dobrou de largura, destruindo praticamente todo o canteiro de obras e atingindo uma das ruas adjacentes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.