Bombeiros confirmam ter achado corpo de aposentada

Depois de quase 70 horas do deslizamento na futura Estação Pinheiros do Metrô, o Corpo de Bombeiros confirmou ter encontrado o corpo de uma das pessoas desaparecidas, a aposentada Abigail Rocha de Azevedo, de 75 anos. Ela havia saído de casa para uma consulta médica, quando passava pela Rua Capri para pegar um trem na Estação Pinheiros da CPTM, na hora do desabamento.De acordo com o coronel João dos Santos de Souza, comandante do Corpo de Bombeiros no local, o resgate do corpo da aposentada foi feito as 4h50. O enterro de Abigail vai acontecer nesta segunda-feira, no Cemitério Central de Santo Amaro. Souza afirmou ainda que filho da aposentada teria declarado não querer identificar o corpo da mãe, já que queria guardar uma imagem viva dela. A identificação teria sido feita através dos documentos que Abigail carregava.No começo da manhã desta segunda-feira, um grupo de 30 homens do Corpo de Bombeiros chegou ao local para a troca de turnos nos trabalhos. Porém, a troca não foi feita e 60 homens passaram a trabalhar nas buscas. A expectativa era de que em torno das 10 horas os Bombeiros chegassem próximo ao microônibus 26.457, que fazia a linha 177-Y Casa Verde-Pinheiros. O veículo foi arrastado por mais de 100 metros e foi encontrado preso aos arcos do fim do túnel que era escavado desde a Rua Ferreira de Araújo."Há sempre a esperança de encontrarmos gente com vida. Esta é a nossa premissa. Há casos de pessoas soterradas que suportaram durante dias", disse o coronel. Agora, os trabalhos estão sendo feitos por cima, porque ficou inviável o trabalho por baixo, pois o risco de soterramento cresceu ainda mais.Resgate complicadoQuando o microônibus foi encontrado, durante a manhã de domingo, os bombeiros conseguiram visualizar um pneu e um pedaço da lataria. No momento havia oito homens que enfrentavam água até a canela para tirar a terra do caminho e chegar ao veículo. O caminho era o mesmo onde, sábado, dois carros de passeio foram encontrados completamente retorcidos.Bastou encostar na van e um deslizamento jogou terra contra a equipe de resgate. Todos voltaram à superfície. A prioridade passou a ser retirar terra por cima para que houvesse menos pressão sobre o veículo. Ao meio-dia, um dos três caminhões visíveis pelo alto foi içado por um guincho e mais seis metros de terra foram escavados.Meia hora depois, dois carros do Instituto Médico Legal (IML) chegaram ao local. Um dos funcionários disse que esperavam oito corpos. Familiares das possíveis vítimas, que acompanhavam os trabalhos de perto, entraram em desespero, mas as vans foram embora vazias.Só as 14h45, quando o deslizamento completava exatos dois dias, outros bombeiros voltaram ao túnel. O soldado Valdomiro de Oliveira, que também é cinegrafista e fotógrafo da corporação, disse que, dessa vez, mais de 30 homens desceram para o túnel.No final da tarde, um carro do Instituto de Criminalística (IC) foi posicionado na saída do túnel e um cordão de isolamento manteve a expectativa. Às 18h30, no entanto, o capitão Minori, um dos coordenadores das buscas, disse que não era possível prosseguir.Achar sobreviventes é ´pouco provável´O governador José Serra apareceu em seguida para justificar a interrupção. Segundo ele, um cabo foi amarrado ao microônibus, mas houve dois deslizamentos e o risco era alto para pouca chance de achar as vítimas vivas. "Deus queira, mas é muito pouco provável", disse.Um dos bombeiros que saiu do túnel contou a angústia da equipe que trabalhava no subsolo. "Dá para ver metade do carro, mas ele ainda não está no chão. Os próprios arcos usados para segurar o túnel o prenderam", contou. Segundo ele, a força da terra destruiu todas as estações de emissão de ar e deixou várias barras retorcidas no caminho.Caso de políciaO secretário da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, disse que a polícia instaurou inquérito para apurar responsabilidades e circunstâncias do desabamento. A investigação será feita por policiais da 3ª Delegacia Seccional (Oeste), em Pinheiros. Marzagão também convocou o diretor do IML, Hideac Kawata, para participar das buscas para, no caso de serem resgatados corpos, agilizar a necropsia e a liberação às famílias.Os desaparecidos WESCLEY DA SILVA - O cobrador de 22 anos estava na lotação prefixo 26.457 da linha Casa Verde-Pinheiros (177-Y). Ele é casado e sua mulher está grávida de oito meses.MARCIO ALAMBERT - O agente de controle ambiental, de 39 anos, está desaparecido desde sexta-feira. Ele poderia estar a pé ou na van, que serviria ao trajeto dele.FRANCISCO TORRES - O motorista, de 44 anos, trabalhava em um dos caminhões que caiu na cratera. É o único operário da obra desaparecido. VALÉRIA MARMT - A advogada saiu do escritório no Alto de Pinheiros para ir à Prefeitura. Pode ter passado pelo local para pegar o trem.REINALDO LEITE - O motorista de 40 anos dirigia a van que partiu do ponto final da Rua Capri, em frente ao poço que estava sendo cavado. Ele é casado e tem dois filhos.PASSAGEIROS DA VAN - Testemunhas ouvidas pelos bombeiros contam que havia passageiros na van prefixo 26.457, Casa Verde-Pinheiros. O fiscal de linha também confirma a saída do carro do ponto final e a empresa explica que os microônibus não saem sem passageiros. Portanto, a equipe de resgate trabalha com a hipótese de mais duas vítimas. O número preciso de passageiros não é conhecido.Resgatada sem vida ABIGAIL AZEVEDO - A aposentada, de 75 anos, foi a uma consulta na Lapa, às 14h e voltava para casa. Parentes dizem que ela passaria pela Rua Capri para pegar um trem na Estação Pinheiros da CPTM.Matéria alterada às 11h10 para acréscimo de informação

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