Bombeiros desaprovam cascata de fogos no Le Meridien

A cascata de fogos do hotel Le Meridien - tradição que por 21 anos foi marca registrada do reveillon em Copacabana - não acontecerá esse ano. O diretor-geral de serviços técnicos do Corpo de Bombeiros, coronel Luis Eduardo Sant, afirmou hoje que a atração fere a lei 1.866, de 1991. "A queima não pode ser feita em terraços. O Corpo de Bombeiros não aprovará." Ele disse que a cascata nunca foi autorizada pela corporação.A cascata, porém, acontece desde 1980 e o hotel nunca foi punido. "Dá vontade de rir", rebateu o diretor de operações do Le Meridien, Jorge Tito. "Jamais faríamos qualquer coisa sem autorização. Não passaríamos por cima disso. Podem fazer uma pesquisa para ver quais os autos aplicados ao Meridien por ter feito coisas à revelia das autoridades." Tito disse que, diante da polêmica, o hotel vai quebrar a tradição, mas prepara um "plano B", ainda sigiloso.O coronel afirmou também que esse ano o hotel sequer enviou o pedido de autorização aos bombeiros. Novamente foi desmentido por Tito. "Enviamos o projeto à diretoria de serviços técnicos em 16 de novembro e o número do protocolo é 6639. Pagamos até uma taxa de R$ 12,50." O hotel tem 39 andares, 496 quartos e receberá cerca de 1.000 hóspedes para o réveillon. "A cascata cai de uma altura de 117 metros. Está no Guiness como a cascata mais alta da América do Sul", frisou Tito.SegurançaA festa custará R$ 1,7 milhão para a Prefeitura e R$ 3,5 milhões para os patrocinadores privados. Oitenta e cinco por cento das vagas em hotéis já estão esgotadas, aumento de 15% em relação ao ano passado. Oito mil policiais serão mobilizados para o réveillon. A maior concentração será em Copacabana, onde a segurança terá 3.300 PMs. Em toda a cidade, atuarão 870 homens da Guarda Municipal. A Polícia Civil reforçará seu efetivo e o Corpo de Bombeiros terá 500 homens. O bairro receberá dois milhões de visitantes e terá três palcos para shows de artistas como Gabriel Pensador, Zélia Duncan, Dudu Nobre e Zeca Baleiro, além de escolas de samba. Haverá shows em outros oito pontos.O acesso à Copacabana deve ser feito preferencialmente por metrô, que funcionará em esquema especial, com bilhetes vendidos antecipadamente. Vinte e três ruas serão interditadas e veículos sem autorização não poderão entrar no bairro. Uma linha de ônibus circulará do shopping Rio Sul até o metrô de Botafogo. A partir das 18 horas até meia-noite do dia 31, os passageiros só poderão embarcar com os bilhetes antecipados e a estação Cardeal Arcoverde, em Copacabana, funcionará apenas para desembarque.Oito postos de atendimento médico serão montados em Copacabana, com 68 profissionais. Cinco funcionarão para atendimento imediato na Avenida Atlântica. Duas ambulâncias - uma delas equipada com UTI - estarão disponíveis, além de dois helicópteros. Outras cinco aeronaves também poderão ser utilizadas. Os casos mais graves serão transferidos para três hospitais da rede pública: Miguel Couto, Rocha Maia e Souza Aguiar. Em caso de queimaduras, o Hospital do Andaraí, referência no Estado, será acionado.FogosAo contrário dos anos anteriores, quando era feita na areia da praia, a queima de fogos será realizada a partir de quatro balsas fundeadas a 500 metros da orla. Assim, as autoridades esperam evitar acidentes como o do ano passado, quando uma pessoa morreu e oito ficaram feridas após uma explosão. Também pela primeira vez será apresentado um espetáculo "piromelódico". Em outras palavras: haverá música sincronizada com os fogos de artifício. A emissora Jovem Rio FM (94,9) transmitirá programação especial.

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