Bombeiros do Rio começam a desativar ajuda de terceiros

Defesa Civil também suspendeu os voos de seis helicópteros da Força Nacional de Segurança

Marcelo Auler, enviado especial,

22 de janeiro de 2011 | 13h57

TERESÓPOLIS - O comandante do 16º Grupamento de Bombeiros, coronel Roberto Silva, disse neste sábado que já é possível começar a desativar a ajuda de terceiros no socorro às vítimas das chuvas da quarta-feira, dia 12. Silva dispensou a ajuda de 20 paramédicos, ex-servidores do SAMU demitidos pelo governo do Estado em 2008 e que estavam ajudando na busca de feridos.

 

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Também neste sábado, o secretário de Defesa Civil do município, tenente-coronel bombeiro Flávio Castro, suspendeu os voos de seis helicópteros a serviço de Força Nacional de Segurança - da própria Força, do IBAMA e aeronaves das Polícias Militares de São Paulo (2), Paraná e Maranhão - que levavam alimentos para áreas isoladas. A decisão foi tomada após a constatação de que os abrigos nestes locais já estavam repletos de alimentos, e essas equipes foram reservadas para transportar equipes médicas a locais de difícil acesso ou casos de resgates de doentes e idosos.

 

O principal trabalho agora, além da ajuda humanitária, é a procura de corpos. Oficialmente, pelo cadastro montado pelo Ministério Público Estadual e pela Ouvidoria da Prefeitura local, há 211 desaparecidos no município. Neste sábado, 70 homens do Corpo de Bombeiros do Rio e mais dez bombeiros da Força Nacional, com a ajuda de quatro cães, vasculhavam cinco localidades onde ainda é possível haver corpos soterrados.

 

Pelo relato de moradores, os bombeiros foram informados da existência de, pelo menos, 25 corpos nas localidades de Cascata do Imbuí (dois), Fazenda do Alemão (três), Sítio Vitória (quatro), Poço dos Peixes, (dois) Hotel Pirâmide (dois) e em Vieira (12).

 

Segundo o coronel Silva, grande parte do trabalho agora é com máquinas, removendo as encostas de morros que desabaram, como ocorreu na região de Posse, Campo Grande, ou tirando os detritos trazidos pelas águas dos rios, que encobriram regiões inteiras como os bairros de Vieira, a localidade de Santa Rita, Pessegueiro e outras. Como muitos corpos desceram com a força d'água, equipes de bombeiros, com ajuda dos cães, percorrem as margens do Rio Preto em busca de possíveis vítimas ainda não localizadas.

 

Desta forma, o Corpo de Bombeiros resgatou na sexta-feira, 21, seis corpos, entre eles o de um menor, que o motorista de caminhão Anderson da Rosa Silva, de 32 anos, imagina ser seu filho Anderson Junior, de 8 anos, levado pelas águas junto com a mãe Jussara, de 28 anos, também desaparecida até este sábado. O corpo do menino foi encontrado três quilômetros abaixo do bairro de Vieira, onde mora a família.

 

Pelo IML improvisado em Teresópolis, já passaram 315 corpos de vítimas das chuvas. Destes, cerca de 35 permanecem ali, apesar da decisão do juiz José Ricardo Ferreira de Aguiar de apressar os enterros por os corpos estarem já em decomposição. Estes cadáveres ainda passam por processos de identificação.

 

Nos cemitérios de Teresópolis foram enterrados 260 corpos - 230 no cemitério do centro, 12 no bairro de Bonsucesso, sete em Vieira e um em Canoas. Os demais corpos, segundo o delegado Tavares, podem ter sido levados para outras cidades.

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