Bombeiros não vistoriaram parque no PR onde 10 se feriram

Secretário do Turismo de Castro disse que não havia necessidade de alvará e que corporação estava avisada

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2009 | 15h40

O soldado do Corpo de Bombeiros Edenilson Capote, responsável por vistorias em locais de eventos em Castro - onde ao menos dez pessoas ficaram feridas, uma delas gravemente, em razão da quebra e queda do brinquedo conhecido como kamikaze, que faz giros de 360 graus - disse que não houve nenhuma solicitação por parte da prefeitura, organizadora da festa, para que a segurança do local fosse previamente analisada.

 

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O acidente ocorreu durante a festa de 305 anos da concessão da sesmaria da Paragem do Iapó, realizada na tarde de domingo, no Parque Lacustre, no município a cerca de 150 quilômetros de Curitiba. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as responsabilidades. Nesta segunda-feira, 23, os peritos ainda faziam análises no brinquedo.

 

Segundo Capote, pelos trâmites, o responsável pela instalação do parque deveria ter feito pedido à prefeitura e esta repassaria o processo aos bombeiros, que fariam a vistoria. "Iríamos verificar o local, se é fechado, se tem extintores de incêndio, se tem saídas", disse. Ele afirmou que ainda exigiria as assinaturas dos responsáveis técnicos pela montagem, parte elétrica e, eventualmente, parte mecânica.

 

O secretário da Indústria, Comércio e Turismo de Castro, Isidro Constantino Guedes, acentuou que o parque de diversões atua há cerca de 30 anos na região, atendendo a várias prefeituras. "Aqui em Castro já passou por diversas vezes", acentuou. Segundo ele, como a própria prefeitura é quem organizava a festa não haveria necessidade de alvará.

 

Guedes ressaltou, ainda, que a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram avisados antecipadamente. "Eles (Corpo de Bombeiros) não podem dizer que não sabiam", afirmou. "Mesmo porque o parque estava funcionando desde a segunda-feira anterior." De acordo com ele, a prefeitura tem toda a documentação necessária para a realização do evento.

 

Os brinquedos instalados no parque de diversões não pertenciam a um único proprietário. Uma pessoa, que ainda não tinha se apresentado à polícia, teria se responsabilizado pela montagem e alugado os equipamentos de vários proprietários diferentes.

 

O dono do kamikaze avariado permaneceu no local e foi ouvido pela polícia. Ele deve responder, a princípio, por lesão corporal culposa. À polícia disse que o equipamento tem um ano de uso e passa por manutenção frequente. No entanto, a polícia ainda aguardava documentação que comprovasse a afirmativa, além do resultado da perícia.

 

Em uma nota, a prefeitura informou que dez adolescentes ficaram feridos. Nove foram atendidos e já liberados no Hospital Anna Fiorillo Menarim, de Castro. Apenas um adolescente, de 15 anos, ainda estava internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Bom Jesus, em Ponta Grossa. Ele sofreu várias fraturas e respirava com a ajuda de aparelhos.

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