Bombeiros, policiais civis e militares encerram a greve no Rio de Janeiro

Paralisação começou na semana passada; nova assembleia vai ser realizada após o carnaval

Alfredo Junqueira, de O Estado de S.Paulo, atualizado às 23h18

13 Fevereiro 2012 | 22h34

RIO - Bombeiros e policiais militares e civis do Rio decidiram, às 21h30 desta segunda-feira, 13, encerrar a greve iniciada no fim da noite de quinta-feira. Os poucos servidores que aderiram ao movimento voltariam ao trabalho já na madrugada desta terça-feira, 14.

A prioridade do movimento a partir de agora será a libertação dos PMs e bombeiros presos desde a semana passada no complexo penitenciário de Bangu, na zona oeste. Uma assembleia de avaliação será promovida após o carnaval, mas a retomada da greve está descartada.

O fim da greve foi anunciado após uma assembleia realizada a portas fechadas na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social do Rio (Sindsprev-RJ), na Lapa, no centro. Os grevistas temiam a prisão de mais militares e por isso designaram, para anunciar a decisão, as mulheres dos servidores presos em Bangu e o inspetor da Polícia Civil Fernando Bandeira, presidente do Sindicato de Policiais Civis do Rio (Sinpol).

"Suspendemos o movimento em homenagem aos nossos heróis que estão presos e para ajudar o Rio de Janeiro e o nosso turismo que é muito importante nesse momento", disse Bandeira à Reuters. "Vamos voltar a trabalhar normalmente."

Horas antes da decisão conjunta, integrantes do Sinpol já tinham decidido suspender a paralisação em caráter temporário até o fim do carnaval. Depois do feriado, uma nova assembleia definiria se a paralisação seria retomada. No último sábado, outro sindicato de policiais civis já havia decidido encerrar a greve.

Objetivos. A paralisação, que não chegou a completar quatro dias, não atingiu nenhum de seus objetivos. A principal exigência do movimento era a adoção de um piso salarial de R$ 3,5 mil. Com a pequena adesão, mesmo antes do fim do movimento a maior reivindicação passara a ser a libertação dos grevistas detidos. Para as entidades reunidas ontem, a permanência deles no presídio é "uma afronta à Constituição".

"Nunca houve líderes. Existem porta-vozes. Não existe greve, o que existe agora é a luta pela justiça aos homens presos em Bangu 1 de forma covarde, ilegal e arbitrária", disse Ana Paula Matias, de 29 anos, mulher do sargento Alexandre Matias, lotado no Grupamento Marítimo da Barra da Tijuca e um dos detidos. Ana Paula leu um texto assinado pelo movimento após a assembleia, que se estendeu por mais de três horas e ocorreu sem que as equipes de reportagem pudessem acompanhar.

Para justificar a reunião a portas fechadas, os grevistas alegaram que o local estava cercado de P-2 (homens do serviço de inteligência da PM) que, segundo eles, poderiam prender os servidores envolvidos na paralisação.

A assembleia que decretou o início da paralisação, na quinta-feira, ocorreu em um palanque na Cinelândia, no centro do Rio, e foi acompanhada por milhares de pessoas. No dia seguinte, porém, 16 grevistas foram presos.

Política. A assembleia de ontem foi acompanhada pela deputada estadual Janira Rocha e pelo federal Chico Alencar, ambos do PSOL. Fora do prédio no qual houve a reunião, uma faixa assinada pelo PSTU caracterizava o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) como o "ditador do Rio".

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