Bombeiros promovem apitaço no Guarujá

Salva-vidas usam o instrumento contra os banhistas imprudentes

Felipe Grandin, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2009 | 00h00

Ele já foi sucesso nas areias de Ipanema, no Rio, para avisar os usuários de drogas que a polícia se aproximava. Doze anos depois, volta a marcar presença, na Praia de Pitangueiras, no Guarujá, litoral sul paulista. A estação ainda está começando, mas para muitos banhistas esse já é o verão do apito, instrumento usado pelos salva-vidas para que janeiro de 2009 não seja lembrado como a temporada do afogamento.No início de 2008, foram as água-vivas que deram boas vindas - nada agradáveis - aos turistas. Em média, um caso de queimadura era atendido a cada seis horas (874 entre dezembro de 2007 e janeiro de 2008). Este ano, porém, os turistas já nem lembram mais dos incômodos protozoários. Já do barulhinho... "É toda hora esse barulho", afirmou a analista de previdência Eliane Bastos de Oliveira, de 27 anos. "É chato, mas tem de ser assim. Depois a pessoa se afoga e culpa o salva-vidas", completou. A maioria concorda que a culpa desse incômodo apitaço é dos banhistas imprevidentes, que não respeitam os avisos espalhados na orla, com a mensagem "Atenção! Alto risco de afogamento neste local". O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já alertou que, por causa das frentes frias que serão frequentes neste mês, o mar está mais bravo, o que aumenta o risco.Até novembro do ano passado, o Corpo de Bombeiros registrou um afogamento por semana no litoral de São Paulo (85 desde janeiro). Apesar de ainda não existir um balanço atualizado, é sabido que os casos aumentam no período de alta temporada. Só entre 26 de dezembro de 2007 e 20 de janeiro de 2008, 17 morreram no mar da Baixada Santista. "O pessoal está abusando. Fora da temporada não tem esse problema, mas agora eles têm de ficar mais atentos", afirmou a advogada Flávia Domingos, de 38 anos, que há cinco frequenta Pitangueiras. Para reduzir as estatísticas, foi montada a Operação Praia Segura, dos Bombeiros, com o apoio de 540 guarda-vidas contratados para auxiliar os 601 já existentes. Eles estão em 654 bases montadas nos 316 quilômetros de praias. Em Pitangueiras, além das placas de aviso, algumas áreas chegam a ser fechadas com faixas pelos salva-vidas, mas os banhistas continuam mergulhando nesses locais. "O problema é educação. A gente bota placa, apita, mas eles continuam entrando na água. Não querem saber", disse um salva-vidas, que não parava de apitar no trecho na frente do shopping, que é isolado por faixas, mas nem por isso deixa de ter banhistas. No dia 30 de dezembro, antevéspera do réveillon, o 17º Grupamento dos Bombeiros foi obrigado a usar um helicóptero para resgatar um banhista que se afogava em Ubatuba, litoral norte. Mas nem só estresse causa o apito. Anteontem, o som chamou a atenção do colombiano Gabriel, de 3 anos, que estava na praia com a avó, Sônia Brito, de 60. "Ele perguntou quem estava apitando e eu disse que era o senhor guarda-vidas", disse ela. "Aí, ele me pediu para conhecer o homem do apito." Depois de ficar envergonhado e se esconder atrás da perna da avó, o menino acabou apertando a mão do salva-vidas e pegando o apito. Mas não se arriscou a assoprar, apesar de incentivado pelo bombeiro. COLABOROU FERNANDA ARANDA

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