Fábio Motta/AE
Fábio Motta/AE

Bombeiros rejeitam proposta do governo do Rio, diz porta-voz

Segundo cabo Benevenuto Daciolo gratificação dada por Sérgio Cabral não é salário

Tiago Rogero, estadão.com.br

13 de junho de 2011 | 11h19

RIO - O porta-voz do movimento grevista dos bombeiros do Rio, cabo Benevenuto Daciolo, disse na manhã desta segunda-feira, 13, que a destinação de 30% dos recursos do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros (Funesbom), anunciada ontem pelo governador Sérgio Cabral (PMDB), não põe fim às reivindicações do grupo. "Gratificação não é salário", afirmou o cabo, que participou de reunião com deputados na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para debater projetos de anistia aos manifestantes presos.

 

Segundo Daciolo, a principal reivindicação do grupo continua sendo o aumento do piso salarial de R$ 950 para R$ 2.000 líquidos. "Se, depois de aumentar os salários, o governo quiser também reajustar as gratificações, ótimo. Mas não é a nossa prioridade no momento", disse. O líder do movimento grevista afirmou ainda não ter sido procurado pelo comandante da corporação e secretário de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, para debater as reivindicações.

 

Segundo a assessoria de imprensa da secretaria, o coronel deve se reunir nos próximos dias com os líderes do movimento, e também com o secretário de Planejamento e Gestão do Rio, Sérgio Ruy Barbosa, para avaliar quais seriam os impactos dos reajustes na economia do Estado.

 

Além de Daciolo, participaram da reunião, representando os bombeiros, o primeiro-sargento Valdelei Duarte e os capitães Bruno Bilbao e Leonardo de Marco. Os quatro estavam detidos no Grupamento Especial Prisional (GEP), em São Cristóvão, na zona norte do Rio, e foram soltos na sexta-feira à noite. Os demais detidos, que estavam na 3ª Policlínica dos Bombeiros, em Niterói, foram liberados no sábado.

 

Reunião. Está na pauta desta terça-feira da Alerj o projeto de lei encaminhado na semana passada pelo Governo do Estado que determina um reajuste de 5,58% aos bombeiros. Como o aumento - uma antecipação dos valores que seriam agregados entre os meses de julho e dezembro deste ano - não satisfaz os manifestantes, os deputados que apoiam o movimento pretendem elaborar hoje emendas ao projeto que incluam todas as reivindicações.

 

"Vamos correr contra o tempo para apresentar as emendas amanhã na votação", disse a deputada Clarissa Garotinho (PR). Os parlamentares esperam se reunir hoje com o presidente da casa, deputado Paulo Melo (PMDB), para conversar também sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que concede anistia administrativa aos bombeiros. Não há uma previsão para que a PEC seja votada.

 

A anistia criminal, por outro lado, só pode ser concedida pelo Congresso Nacional. O deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ) disse que vai pedir hoje ao presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), que seja votado ainda esta semana, em regime de urgência, o projeto de lei que propõe novo artigo à lei federal do ano passado que anistiou policiais militares e bombeiros que participaram de greves entre 1997 e 2010.

 

Atualizado às 12h45

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